Temos que ter um projeto de mídia para conquistar a hegemonia, diz Hélio Doyle

O jornalista Hélio Doyle tratou no Encontro de Assinantes do 247 em Brasília da luta das mídias independentes pela hegemonia da comunicação no Brasil. “Você só conquista a hegemonia com projeto. Qual é o projeto hoje que nós temos? Nós já criamos um consenso de projeto?”, questionou. Assista

247 - O jornalista e colunista do Brasil 247 Hélio Doyle falou no Encontro de Assinantes do 247 em Brasília sobre luta de classes no país, luta pela hegemonia da comunicação e formação de alianças. Doyle frisou que a resistência da mídia independente deve objetivar a conquista da hegemonia na comunicação.

Hélio Doyle ressaltou que na luta de classes a imprensa contra-hegemônica é o pólo dominado. Ele também evidenciou o papel dominante da grande imprensa brasileira.  

“O que eu acho que a gente muitas vezes esquece é de que existe uma coisa chamada luta de classes, e ela está presente na sociedade. Acho que muitas vezes a gente ignora isso e ignora que na luta de classes há um processo de hegemonia e há um pólo dominante e um dominado. Nós somos o pólo dominado, tem sido assim em toda a nossa história”.

“Mesmo durante os governos de Lula e Dilma a luta de classes continuou existindo, havia um pólo dominante e outro dominado, que somos nós. A grande imprensa, na minha opinião, é parte da luta de classes, tem seus interesses de classe, tem seus interesses econômicos, tem seus interesses na sociedade, ela reflete isso. No momento em que ela derruba a Dilma ela está refletindo isso, no momento em que ela, em uma conjuntura em que ela se viu sem oposição, apoiou o Bolsonaro ela também reflete isso”, completou.

O jornalista afirmou que a resistência deve visar a conquista da hegemonia e que, para isso, é necessário um projeto. “Outra coisa que a gente não pode esquecer são as contradições da sociedade. Existem contradições entre pólos diferentes mas existem contradições internas, que se refletem na mídia. A gente não tem que se iludir a respeito disso. Superar isso é um processo histórico que passa pela resistência, que é o que está acontecendo hoje, mas que tem que ser um processo de conquistar a hegemonia, e você só conquista a hegemonia com projeto. Qual é o projeto hoje que nós temos? Nós já criamos um consenso de projeto?”.

Como parte do projeto, Hélio Doyle citou também a importância das alianças para que o “pólo dominado” consiga superar o “pólo dominante”. “Nós temos também que considerar alianças no processo de conquista da hegemonia. Muitas vezes sozinho, e é um problema que temos hoje, a gente fala para nós mesmos, nós já estamos convencidos, já estamos sabendo, precisamos elevar isso para mais gente. Essa questão tem que ser discutida para se fazer alianças corretas com bases corretas. Temos que pensar em projeto e aliança para superarmos essa situação, não podemos ficar simplesmente esperando que o pólo dominante resolva tirar o Bolsonaro”.

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