Tijolaço: A direita queima seus navios

Para Fernando Brito, "parece ser tarde para que o PSDB se retire do abraço de afogado de Temer, a começar pela única figura de que dispunha para vender o discurso do 'novo', João Doria Junior, que se atou ao ocupante do Planalto de forma que, agora, dificilmente será rompida"; até porque, lembra Brito, "não existe rompimento sem oposição e os tucanos não têm como entrar em oposição ao que resta de projeto a este governo: a degola dos direitos sociais e trabalhistas"

Para Fernando Brito, "parece ser tarde para que o PSDB se retire do abraço de afogado de Temer, a começar pela única figura de que dispunha para vender o discurso do 'novo', João Doria Junior, que se atou ao ocupante do Planalto de forma que, agora, dificilmente será rompida"; até porque, lembra Brito, "não existe rompimento sem oposição e os tucanos não têm como entrar em oposição ao que resta de projeto a este governo: a degola dos direitos sociais e trabalhistas"
Para Fernando Brito, "parece ser tarde para que o PSDB se retire do abraço de afogado de Temer, a começar pela única figura de que dispunha para vender o discurso do 'novo', João Doria Junior, que se atou ao ocupante do Planalto de forma que, agora, dificilmente será rompida"; até porque, lembra Brito, "não existe rompimento sem oposição e os tucanos não têm como entrar em oposição ao que resta de projeto a este governo: a degola dos direitos sociais e trabalhistas" (Foto: Gisele Federicce)

Por Fernando Brito, do Tijolaço

Ainda que acontecesse, segunda-feira, a declaração formal de retirada do PSDB do Governo Temer – o que não é provável e só ocorrerá se aparecer outro escândalo de proporções amazônicas até lá – nada se alteraria.

Não existe rompimento sem oposição e os tucanos não têm como entrar em oposição ao que resta de projeto a este governo: a degola dos direitos sociais e trabalhistas.

Parece ser tarde para que o PSDB se retire do abraço de afogado de Temer, a começar pela única figura de que dispunha para vender o discurso do “novo”, João Doria Junior, que se atou ao ocupante do Planalto de forma que, agora, dificilmente será rompida.

Alckmin, sabiamente, está menos identificado com o “temerismo” do que ele, mas tem o empuxo de um balão apagado.

Da galeria de “velhos nomes” do tucanato, estes parecem parecem estar gravados em lápides.

A anunciada disposição de Joaquim Barbosa de unir-se a Marina Silva – ao que parece mais disposição dela do que dele – também parece ser tardia: quatro anos de ostracismo são muito para quem era um fenômeno de mídia  muito mais que uma representação social.

O que figura sobrar para a direita, hoje, é Jair Bolsonaro e não é preciso dizer que a dificuldade dele em se tornar um nome da maioria  é tão grande quando a sua facilidade em agrupar o fanatismo obtuso que proliferou no Brasil.

A alternativa Moro, se este a desejar, tem o inconveniente de expô-lo: condenar rapidamente Lula em um processo e licenciar-se da magistratura em seguida para ser candidato. Provavelmente antes da confirmação de sua sentença em segunda instância, o que criaria uma situação inusitada: um tribunal de 2ª instância confirmar a sentença proferida por um candidato que torna inelegível o seu maior adversário.

Mesmo com o estômago de avestruz dos nossos juízes, dose cavalar, num caso com provas tão frágeis que se resumem a convicções.

Evidente que a direita terá seu – ou seus candidatos – mas seu cardápio não está extenso  nem é de fácil preparo.

Ela depende, antes de tudo, de um cambalacho judicial não para vencer, mas para não poder ser vencida, excluindo Lula da disputa.

Quem cobra ou espera de Lula uma radicalização anti-política, tire o cavalo da chuva.

Em 1950, Vargas tentou uma composição com o PSD e até com setores da UDN. Saiu como candidato isolado do PTB menos por sua vontade do que por rejeição do campo conservador e não teve dúvidas em aliar-se, pelos votos de  São Paulo, com o Partido Social Progressista de Adhemar de Barros.

Isso não fez de sua vitória algo que não fosse a batalha final, literalmente,  de sua vida.

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