Tijolaço: desde quando o Grupo Globo é isento?

Jornalista Fernando Brito, editor do Tijolaço, critica a "emenda constitucional" determinada por João Roberto Marinho em seus "Princípios Editoriais", para disciplinar o uso de redes sociais por seus jornalistas; "Se isso fosse seguido nas páginas do jornal, nos textos de comentaristas e para as reportagens de televisão, era possível que as os espaços e tempos dedicados à política ficassem em branco. Desde quando o Grupo Globo é isento? Nem ele e nem qualquer veículo de comunicação"

Tijolaço: desde quando o Grupo Globo é isento?
Tijolaço: desde quando o Grupo Globo é isento?
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Fernando Brito do TijolaçoO Grupo Globo publica hoje uma "emenda constitucional" determinada por João Roberto Marinho em seus "Princípios Editoriais", para disciplinar o uso de redes sociais por seus jornalistas.

Diz lá, no meio de um longo blá-blá-blá que "em sua atuação nas redes sociais, o jornalista deve evitar tudo o que comprometa a percepção de que o Grupo Globo é isento. Por esse motivo, nas redes sociais, esses jornalistas devem se abster de expressar opiniões políticas, promover e apoiar partidos e candidaturas, defender ideologias e tomar partido em questões controversas e polêmicas que estão sendo cobertas jornalisticamente pelo Grupo Globo".

Se isso fosse seguido nas páginas do jornal, nos textos de comentaristas e para as reportagens de televisão, era possível que as os espaços e tempos dedicados à política ficassem em branco.

Desde quando o Grupo Globo é isento? Nem ele e nem qualquer veículo de comunicação.

E é natural que não sejam, desde que preservem o equilíbrio jornalístico e, sobretudo, sejam honesto com seus leitores e assumam suas preferências. É assim em todo o mundo e não poderia ser diferente.

O que é diferente, aqui, é que existe um monopólio de comunicação exercido pela Globo que, hipocritamente, quer ser percebido (e confessa) como isento, quando é – e foi, desde que vicejou na ditadura – a mais importante ferramenta do sistema de dominação da opinião pública.

É, e seu patrono, Roberto Marinho, era o condestável da República, papel que – com discrição pessoal, reconheça-se – foi herdado pelo filho João Roberto, que divide com os irmãos a presença na lista dos mais ricos do país.

Algo que ele imita até no vocativo de "caros companheiras e companheiros" com que publicamente trata seus empregados, como fazia o "companheiro Roberto Marinho".

Nos últimos tempos, a Globo se tornou a grande patrocinadora da Lava Jato e de seus desígnios políticos.

O prêmio máximo do "Faz Diferença" global entregue por João Roberto a Sérgio Moro, depois a Cármem Lúcia, por exemplo, jamais foi dado ao brasileiro que mais diferença fez no país nos 15 anos em que a premiação existe.

Deram-lhe um de segunda linha, é verdade, no início de 2004, quando a Globo estava pendurada em dívidas e a mão do Governo era indispensável para salvar o império.

É que para eles faz mais diferença colocar Lula na cadeia que tirar 40 milhões de brasileiros da miséria.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247