Tijolaço: Gandra é para bestializar relações de trabalho

Para o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, uma eventual nomeação de Yves Gandra Filho para substituir Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal visa garantir os "retrocessos pretendidos por Michel Temer nas reformas trabalhista e previdenciária"; "E um juiz, necessariamente, tem de ser um homem do seu tempo, sob pena de, em nome da técnica jurídica, reproduzir o que ficou também para muito atrás no tempo em outro tipo de relações humanas: as do trabalho", afirma

Para o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, uma eventual nomeação de Yves Gandra Filho para substituir Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal visa garantir os "retrocessos pretendidos por Michel Temer nas reformas trabalhista e previdenciária"; "E um juiz, necessariamente, tem de ser um homem do seu tempo, sob pena de, em nome da técnica jurídica, reproduzir o que ficou também para muito atrás no tempo em outro tipo de relações humanas: as do trabalho", afirma
Para o jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, uma eventual nomeação de Yves Gandra Filho para substituir Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal visa garantir os "retrocessos pretendidos por Michel Temer nas reformas trabalhista e previdenciária"; "E um juiz, necessariamente, tem de ser um homem do seu tempo, sob pena de, em nome da técnica jurídica, reproduzir o que ficou também para muito atrás no tempo em outro tipo de relações humanas: as do trabalho", afirma (Foto: Aquiles Lins)
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Por Fernando Brito, do Tijolaço - Nos jornais, felizmente, repercute o que surgiu na blogosfera há dois dias.

As opiniões do Sr. Yves Gandra Filho contrárias ao divórcio, favoráveis à submissão da mulher e ofensivas aos homossexuais ganharam as páginas da Folha e de O Globo e revelaram como pensa quem iria, como Ministro do STF, ser afinal um dos  juizes supremos da sociedade brasileira.

São uma leitura congelada no tempo de São Tomás de Aquino que viveu no século 13 e que, portanto, tinham um sentido então que é inadmissível hoje, quase 800 anos depois.

O detalhe ridículo da porta aberta mostra bem uma cena que vivi, há 40 anos, quando um dos irmãos-figurantes  de Roberto Marinho – isso é recorrente, parece – desceu à redação de O Globo e, espantado com a quantidade de mulheres jornalistas, perguntou: “mas elas se comportam direitinho”?

E um juiz, necessariamente, tem de ser um homem do seu tempo, sob pena de, em nome da técnica jurídica, reproduzir o que ficou também para muito atrás no tempo em outro tipo de relações humanas: as do trabalho.

A indicação de Gandra ao Supremo Tribunal, ao que parece abortada – confie nisso, desconfiando – pela revelação de seu anacronismo moral, visa(va) outro objetivo.

Garantir, na Suprema Corte, os retrocessos pretendidos por Michel Temer nas reformas trabalhista e previdenciária.

Não é preciso imaginar as consequências filosóficas na visão do trabalho de quem afirma desta forma crua o dever de submissão ao marido, afinal o “pai-patrão”.

É por isso que o importante – por mais que nos indignem as suas opiniões arcaicas e preconceituosas – sobre Gandra é dito, hoje, em sua coluna, por Bernardo de Mello Franco.

Os políticos fazem barulho, mas quem mais investe na campanha [pela indicação de Gandra]é o empresariado. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, lidera a mobilização. Ele me disse que Gandra “é um grande brasileiro e poderá ser um grande ministro do Supremo”. Citado nas delações da Odebrecht, o peemedebista afirma não ter “nenhuma preocupação” com a Lava Jato.

Para a associação dos juízes trabalhistas, Gandra virou o candidato da Fiesp porque defende os interesses dos patrões em prejuízo dos trabalhadores. “Ele é um aliado dos empresários na missão de desmontar a CLT. Nomeá-lo para o Supremo seria um erro histórico”

Pois, afinal, o gosto passadista de Gandra, como se vê, nos levaria para trás, para o tempo dos que suspiram de saudades da escravidão.

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