Tijolaço: votação pode ser “1º tuno de um governo Cunha”

"E é preciso ser muito tolo para acreditar que Cunha derruba um governo sem acordos e garantias de que não será, ele próprio, tragado pela montanha de provas e denúncias que tem contra si", observa Fernando Brito, do Tijolaço; para ele, é estamos nos chegando ao momento de decisão e hoje é seu preâmbulo; "Não há remédio possível senão a rua, porque as nossas instituições garantidoras da democracia agem como se ela pudesse ser guardada por uma lesma quando ferozes panteras a destroçam"

Brasília- DF- Brasil- 22/10/2015- Presidente da Câmara, dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) concede entrevista. Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados
Brasília- DF- Brasil- 22/10/2015- Presidente da Câmara, dep. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) concede entrevista. Foto: Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados (Foto: Aquiles Lins)

Por Fernando Brito, do Tijolaço - Hoje – ou melhor, amanhã, porque como bom golpismo ele entrará pela madrugada – teremos o "primeiro turno" da instituição do governo Eduardo Cunha no Brasil.

Esqueçam Temer, Aécio, Serra. Alckmin.

O comandante da operação de derrubada de Dilma é, incontestavelmente, Eduardo Cunha.

Ao ponto do insuspeito Jorge Bastos Moreno registrar, em O Globo, que o "relator da comissão (do impeachment, que votará hoje)só se desloca para a comissão do processo após pedir a benção a Eduardo Cunha".

E é preciso ser muito tolo para acreditar que Cunha derruba um governo sem acordos e garantias de que não será, ele próprio, tragado pela montanha de provas e denúncias que tem contra si.

Tolice igual é pensar que ele terá o comportamento "republicano" – não quero repetir a palavra tolo – do PT em relação ao Judiciário, ao Supremo especificamente, e ao Ministério Público.

(aliás, aposto um doce que desaguará sobre eles uma onda de mansidão se o golpe parlamentar vingar)

Não é à toa que, hoje mesmo, Cunha comemora seu "avanço" – de 8 para 11% de apoio, vejam no Noblat – à sua posição de comandante do impeachment.

Vai ao poder, se consumado o golpe. gente que nem a metade isso teria se disputasse os votos do povo brasileiro.

É evidente que um governo instituído assim não teria condições de sustentar-se senão pela força e pelo arbítrio.

Sei que o amigo e a amiga, tal como eu, tem uma mistura de constrangimento e nojo em ver esta situação e ler um noticiário que esconde do povo brasileiro esta repugnante verdade. Pior ainda, que a traveste de uma impossível "restauração da moralidade".

Mais de uma vez já disse: infelizmente, não temos o direito de nos isolarmos. A palavra que eu queria usar era do espanhol, aislarse, fazer-se ilha, como nas Meditações, de John Donne, clérigo e poeta inglês do século 17:

Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.

Não há remédio possível senão a rua, porque as nossas instituições garantidoras da democracia agem como se ela pudesse ser guardada por uma lesma quando ferozes panteras a destroçam.

Estamos nos chegando ao momento de decisão e hoje é seu preâmbulo.

Que não sejamos ilhas, que sejamos mar.

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