Toffoli fez concessões a golpistas, diz Celso Rocha de Barros

Para o colunista da Folha de S.Paulo, sociólogo Celso Rocha de Barros, o ex-presidente do Supremo, Dias Toffoli, "nunca foi à guerra pelas instituições como fez, por exemplo, Celso de Mello"

Ministro Dias Toffoli
Ministro Dias Toffoli (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
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247 - "A passagem de Dias Toffoli pela presidência do STF foi característica de uma época de democracia em crise. À medida que mais bastidores dos últimos anos forem revelados, os historiadores debaterão que papel o ministro teve na gestão dessa crise", escreve Celso Rocha de Barros.

"Se as coisas estavam tão degeneradas que foi necessário ao presidente do STF costurar um acordão, Toffoli desempenhou um papel importante. Afinal, acordão ainda é melhor do que golpe. Mas se o risco à democracia era baixo, Toffoli pode ter piorado as coisas encorajando os golpistas com concessões".

"O que é claro é que Toffoli nunca aceitou o risco de tornar-se um mártir da democracia, nunca foi à guerra pelas instituições como fez, por exemplo, Celso de Mello. Sua estratégia foi a acomodação com a ameaça bolsonarista, com uma exceção importante, que também é controversa".

"Na semana passada, Toffoli declarou que nunca havia visto Bolsonaro ameaçar a democracia. Talvez tenha visto apenas risco de 'movimentos' como o de 1964".

"Mas, se não viu nada, sua passagem pela presidência do STF foi um absoluto desastre: se Bolsonaro não representava risco à democracia, as decisões de Toffoli sobre o Coaf, por exemplo, que beneficiaram Flávio Bolsonaro, foram, além de juridicamente erradas, desnecessárias à defesa da democracia".

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