Valor quer que Palocci incrimine Lula em delação

A grande mídia já não esconde mais seu desejo de ver Lula incriminado e preso pela Lava Jato; agora, o jornal Valor Econômico publica reportagem em que abertamente mostra sua "torcida" para que o ex-ministro Antonio Palocci incrimine o ex-presidente em seu acordo de delação premiada; para corroborar sua tese, o jornal publica detalhes de uma suposta conversa de Palocci com seu advogado em que ele incriminaria Lula; o periódico destaca ainda que o ex-ministro da Casa Civil, se condenado, tende a receber uma pena maior do que a de Eduardo Cunha

Palocci é escoltado por policiais em Curitiba. 26/9/2016. REUTERS/Rodolfo Buhrer
Palocci é escoltado por policiais em Curitiba. 26/9/2016. REUTERS/Rodolfo Buhrer (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Sem pudor de demonstrar sua torcida para que o ex-ministro Antonio Palocci inclua o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu acordo de delação premiada, o jornal Valor Econômico relata uma suposta conversa que teria acontecido entre Palocci e um de seus advogados.

"O ex-ministro Antonio Palocci informou, em conversa com advogado, que ele e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam sido os beneficiários de um terço de propinas pagas durante a criação e montagem da Sete Brasil, em 2010. A Sete foi uma sociedade de propósito específico constituída para construir 29 sondas, destinadas à exploração de petróleo, pela Petrobras, na camada pré-sal. Na época, a previsão do governo Lula era a de que a empresa - hoje em processo de recuperação judicial - atrairia investimento de US$ 25 bilhões até 2020, sendo que R$ 8 bilhões foram colocados no projeto por fundos de pensão estatais, bancos estatais e privados e empreiteiras, como a Odebrecht e a Queiroz Galvão.

A declaração de Palocci ocorreu durante consulta a um advogado na quarta-feira da semana passada, na véspera de ser interrogado pelo juiz federal Sergio Moro na ação penal a que responde na Justiça Federal de Curitiba por corrupção, conforme apurou o Valor. Palocci consultou o criminalista para saber sobre a possibilidade de fechar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O desejo manifestado pelo ex-ministro, que cumpre prisão preventiva na Polícia Federal (PF), em Curitiba, foi repassado a procuradores que atuam na Lava-Jato. Segundo Palocci, sua versão também pode ser corroborada pelo ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, já condenado a mais de 40 anos de prisão sob a acusação de ter desviado mais de R$ 650 milhões da Petrobras. Duque tenta fechar acordo de delação premiada há quase um ano.

De acordo com o ex-ministro da Casa Civil no governo Dilma e da Fazenda na gestão Lula, os outros dois terços das propinas do projeto da Sete Brasil eram distribuídos do seguinte modo: um terço para funcionários e operadores ligados à Petrobras e a parte restante seria destinada a executivos da própria Sete Brasil. Durante a conversa com o advogado, Palocci teria criticado Lula e dito que se sente abandonado pelo ex-presidente."

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