Washington Post ironiza bromance entre Trump e Bolsonaro

Jornal americano destaca que "ter Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil em Washington é uma excelente notícia para a administração Trump", que lideraria "com um apoiador entusiasmado quando negociar seus interesses econômicos e políticos"

247 - Uma reportagem do jornal americano The Washington Post ironiza o 'bromance' entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o brasileiro, Jairo Bolsonaro, ao comentar a indicação do filho do mandatário brasileiro, o deputado federal Edurado Bolsonaro, ao cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

O texto destaca que "ter Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil em Washington é uma excelente notícia para a administração Trump", que "ao invés de ter que  lidar com a diplomacia pragmática praticada pela burocracia altamente treinada nesses negócios do Ministério das Relações Exteriores", lidaria "com um apoiador entusiasmado  quando negociar  seus interesses econômicos e  políticos".

Leia abaixo os principais trechos, traduzido por Regina Aquino para o 247:

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro tem sido descrito há algum tempo como o “Trump do trópicos” e tem seguido os passos do presidente estadunidense ao quebrar regulações de proteção ambiental, acusar matérias da mídia como “fake news” (notícias falsas) e representar uma extrema-direita, sob o ponto de vista local. Agora, ocorre uma outra razão para comparar os dois líderes: assim como o Presidente Trump que colocou seu genro Jared Kushner encarregado da diplomacia no Oriente Médio, também Bolsonaro considera indicar seu filho Eduardo Bolsonaro embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Mas a razão real por trás dessa eminente indicação tem menos a ver com suas verdadeiras qualificações ou experiências nos Estados Unidos e muito mais com a posição central que ele ocupa no “Bromance” autoritário ideológico entre o presidente Trump e o presidente Bolsonaro. Nas aparições públicas, Eduardo Bolsonaro vestiu roupas grafadas com o slogan de Trump “Make America Great Again” (faça a América grande novamente). Em sua primeira viagem aos Estados Unidos, o presidente levou seu filho na visita à Casa Branca. Antes disso, Eduardo Bolsonaro encontrou-se pessoalmente com o ex-conselheiro da Casa Branca, Stephen K. Bannon. Ele também compareceu num evento de “Trumpettes” no qual declarou, no palco, apoiar o muro na fronteira dos Estados Unidos com o México – um assunto que contribuí em nada para a diplomacia brasileira.

Mais ainda, Eduardo Bolsonaro tem rumorosamente mostrado simpatia na direção da possibilidade de aliança com os Estados Unidos para o uso de força militar contra o regime de Nicolás Maduro na Venezuela. O posicionamento de Bolsonaro sobre a Venezuela levou o Ministro das Relações Exteriores de Maduro a classificar a relação EUA-Brasil como uma “aliança neofascista”, e deixou o Brasil  um passo mais perto do conflito com seu vizinho. Isso tudo tem as impressões digitais de Eduardo, já que é sabido que ele é o mais importante conselheiro do pai nas questões de política de Relações Exteriores.

Nesse contexto, ter Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil em Washington é uma excelente notícia para a administração Trump. Ao invés de ter que  lidar com a diplomacia pragmática praticada pela burocracia altamente treinada nesses negócios do Ministério das Relações Exteriores, o governo estadunidense lidará com um apoiador entusiasmado  quando negociar  seus interesses econômicos e  políticos. 

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