Žižek: A eleição de Bolsonaro e a nova direita populista

O filósofo esloveno Slavoj Žižek afirma que a situação do avanço da extrema-direita no Brasil é diferente da situação da Europa. Ele diz: "até onde sei, o caso brasileiro é bastante singular. Não é como na Europa Ocidental, onde oponente não é, como no caso de vocês, um movimento relativamente honesto de esquerda. O oponente lá é simplesmente o establishment – talvez um pouco de esquerda, democrático, mas ainda assim o establishment

Žižek: A eleição de Bolsonaro e a nova direita populista
Žižek: A eleição de Bolsonaro e a nova direita populista (Foto: Universidade de Brasilia)

247 - O filósofo esloveno Slavoj Žižek afirma que a situação do avanço da extrema-direita no Brasil é diferente da situação da Europa. Ele diz: "até onde sei, o caso brasileiro é bastante singular. Não é como na Europa Ocidental, onde oponente não é, como no caso de vocês, um movimento relativamente honesto de esquerda. O oponente lá é simplesmente o establishment – talvez um pouco de esquerda, democrático, mas ainda assim o establishment.

Em entrevista concedida o Blog da Boitempo, Žižek prossegue: "na Europa Ocidental, o que está desaparecendo é a social-democracia tradicional. O que se tem é uma oposição entre aquilo que denomino o establishment liberal de esquerda (que é economicamente neoliberal mas socialmente a favor de direitos LGBT, das mulheres etc.) e esse novo populismo de direita."

Žižek avança nas análises contraintuitivas e lança: "no Brasil, parecia que o populismo não era principalmente um populismo de direita. Com Lula e Dilma, a esquerda havia ocupado esse espaço. Mas aqui vou traçar algumas observações que provavelmente soarão problemáticas para muitos de vocês. Não concordo com toda essa ideia de um populismo de esquerda. Está na moda defender isso na Europa Ocidental e nos Estados Unidos: por que deixar o populismo – essa modalidade engajada de política, centrada no estabelecimento de um conflito com um determinado inimigo –, por que deixar o populismo exclusivamente na mão dos direitistas? Por que não responder a ele com um populismo nosso, de esquerda?"

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