A França perde seu maior aliado

Queda de Nelson Jobim reduz as chances francesas na licitao bilionria dos caas

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Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris – A presidente Dilma Rousseff, se tornou hoje o pivô do divórcio da França com o Brasil, um rentável casamento que durava há alguns anos. Com a saída do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o país de Nicolas Sarkozy perde seu maior aliado em terras tupiniquins. Nenhum outro político brasileiro defendeu tanto o "Bleu, blanc, rouge" como ele.

Graças a seu impenho incansável, o governo Lula fechou um contrato de R$ 20 bilhões na compra de cinco submarinos franceses, incluindo um nuclear, em setembro de 2009. Uma soma astronômica que até hoje é questionada. Jobim é brasileiro, mas também foi visto usando a camisa da França em negócios que não tinham nenhuma participação do País. Em outubro de 2010, o ministro da Defesa, dedicou parte de seu tempo a uma atividade um tanto curiosa: convencer os governos da Líbia e dos Emirados Árabes a fechar a compra de 74 aviões Rafale, fabricados pela francesa Dassault. A título oficial, o lobby seria recompensado com um substancial abatimento na fatura dos 36 aviões que a FAB pretendia adquirir da Dassault. Mas, tendo em vista a íntima relação da família Dassault com Jobim, essa seria mais uma troca de favores entre amigos. Oministro já chegou a se hospedar no castelo de Serge Dassault, na França.

Desde que assumiu o governo, Dilma não quer ouvir falar dos caças. Ela disse que a discussão da compra de aviões para renovar a frota da FAB não é uma prioridade no momento e será tratada a partir de 2012. Mesmo assim, Jobim continuou suas articulações para defender a tecnologia francesa. Em junho desse ano, ele liderou uma viagem de congressistas brasileiros a Paris bancada pela fabricante Dassault. Os políticos tentaram justificar a visita como convite do Senado francês, mas a explicação não se sustentou.

Com Lula fora da presidência e Jobim afastado, a França dificilmente conseguirá emplacar seus caças, com preço superior ao da concorrência. O Comando da Aeronáutica elaborou um relatório técnico apontando o sueco Gripen, da Saab, como a melhor opção.

Quem sabe agora Nelson Jobim encontrará tempo para se dedicar a um antigo sonho, o de assumir a embaixada do Brasil na França.

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