A volta de Berlusconi

Para os analistas, a pretensão de Berlusconi de ser ministro da Economia não é pra valer. Seu objetivo real seria voltar a chefiar o governo da Itália

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Silvio Berlusconi anunciou dia 6 um acordo com a Liga Norte para formar coalizão com seu partido nas próximas eleições parlamentares italianas.

Na ocasião ele declarou que pretendia ser ministro da Economia, se o seu partido, o PDL, conseguisse maioria. Nesse caso, fala-se que o primeiro-ministro seria Angelino Alfano, ex-ministro da Justiça, no governo Berlusconi.

A Liga Norte é um aliado de peso.

Ela proclama que as ricas regiões do Norte subsidiam o pobre Sul, acusado de corrupto e economicamente atrasado.

Defende duras leis anti-imigração e mais poderes e autonomia para as regiões da Itália.

Berlusconi, que já foi 3 vezes primeiro- ministro, teve de retirar-se do seu cargo quando os mercados financeiros e os governos europeus deixaram claro que não confiavam mais nas suas políticas econômicas e financeiras.

Dono de um verdadeiro império de comunicações, integrado por uma grande cadeia de emissoras de TV e rádio, jornais e editoras, ele ainda usou à vontade a poderosa rede pública de comunicações para promover as candidaturas do seu partido.

É acusado também de ter se tornado uma das maiores fortunas da Itália graças a abusos dos seus poderes como primeiro-ministro.

A carreira de Berlusconi ficou marcada por uma série dos mais variados processos criminais incluindo associação com a máfia, falsificações contábeis, fraude nos impostos, corrupção e suborno de autoridades públicas e juízes.

Quase todas estas acusações foram arquivadas na Justiça graças a leis aprovadas pela sua base aliada, que dominava o parlamento.

Assim, por exemplo, ele se beneficiou de leis que reduziam os prazos de prescrição de crimes de que ele era acusado.

Outras leis faziam tantas exigências para caracterizar como crimes suscetíveis de processo atos ilegais por ele praticados, que paralisavam as ações.

Uma única vez ele foi julgado e considerado culpado nas várias instâncias.

Isso aconteceu no episódio do escândalo da loja maçônica P2.

Em 1981, a polícia descobriu que essa entidade secreta conspirava com o objetivo de mudar o regime político da Itália, implantando um sistema autoritário.

Integravam a P2 membros do serviço secreto, figuras importantes da política, negócios, exército e mídia.

Berlusconi começava sua carreira política, com sua popularidade em alta, graças ao hábil uso de uma emissora de TV, o Canal 5, da qual era proprietário.

Seu nome apareceu na lista dos membros da P2.

Em dezembro de l981, o parlamento aprovou lei declarando a P2 ilegal mas nenhuma pena foi aplicada contra seus integrantes.

Inquirido em juízo, Berlusconi afirmou que ficara na P2 por muito pouco tempo, não tendo participado de nenhuma de suas atividades.

Era mentira, conforme ficou plenamente comprovado.

Submetido a processo em 1990, ele foi condenado por falso testemunho. Sentença posteriormente confirmada pelo tribunal de Verona.

Mas Berlusconi não pegou cadeia, beneficiado por uma anistia, providencialmente votada pelo parlamento, em 1989.

Seu último processo foi aberto em fevereiro de 2011.

Ele foi acusado de relações sexuais com a dançarina de cabaré Karima El Mahroug, entre fevereiro e maio de 2010, quando ela era menor de idade.

Outra acusação consta do mesmo processo: abuso de poder.

Berlusconi tentou convencer a polícia a liberar a dançarina, presa por furto, alegando que ela seria neta de Hosni Mubarak, então ditador do Egito.

Para os analistas, a pretensão de Berlusconi ser ministro da Economia não é pra valer.

Seu objetivo real seria voltar a chefiar o governo da Itália.

A indicação de Alfano, político inexpressivo, como primeiro-ministro no caso da vitória da chapa PDL-Liga Norte, não passaria de um jogo político.

No momento, a imagem de Berlusconi está desgastada pelo seu recente fracasso no governo e pelo acúmulo de acusações contra ele.

Ele aguardaria ocasião mais favorável para lançar seu nome para voltar a chefiar o governo, substituindo o fiel Alfano que não teria dúvidas em sair de cena para dar lugar a seu chefe.

Não é certamente agora. Pesquisa publicada pelo Corriere della Sera no dia 6 mostra que a aliança PDL-Liga Norte conseguiria apenas entre 26% e 28% dos votos contra 38% a 39% da coligação de centro-esquerda.

Berlusconi não tem muito tempo para conseguir uma virada pois as eleições já serão em 24 e 25 de fevereiro.

Há quem tema a força de comunicação desse magnata da mídia.

Por enquanto, o povo italiano não parece disposto a dar uma quarta chance a quem decepcionou nas 3 vezes em que foi primeiro-ministro.

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