Acossado e ameaçado por golpe, Morales recua e chama novas eleições na Bolívia

Haverá novas eleições na Bolívia. O anúncio foi feito pelo próprio Evo Morales, que havia conquistado um quarto mandato numa disputa contestada pela oposição. O país vivia intensos protestos e a ameaça de um golpe de estado

Presidente da Bolívia, Evo Morales
Presidente da Bolívia, Evo Morales (Foto: Manuel Claure/Reuters)
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247 – O presidente da Bolívia, que fora eleito para um quarto mandato, recuou e decidiu chamar novas eleições, seguindo proposta da OEA. Abaixo, tweet de Amauri Chamorro e reportagem da BBC:

Os auditores da OEA denunciaram "uma clara manipulação" do sistema de transmissão de resultados, que concedeu a vitória a Evo Morales.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) publicou um comunicado em seu site pedindo a anulação dos resultados das eleições presidenciais de 20 de outubro na Bolívia, além da convocação de novas eleições perante a situação tensa que o país vive. Isso acontece depois da vitória do atual presidente, Evo Morales, em meio a alegações de fraude por parte da oposição.

"A partir da Secretaria Geral da OEA reiteramos nossa disposição de cooperar na busca de soluções democráticas para o país, razão pela qual, em virtude da gravidade das denúncias e análises do processo eleitoral que a equipe de auditores nos enviou, cabe-nos afirmar que o primeiro turno das eleições de 20 de outubro deve ser anulado, e o processo eleitoral deve ser realizado novamente, assim que houver novas condições que deem garantias para sua celebração, incluindo um novo órgão eleitoral", afirmou o comunicado do secretário-geral da OEA, Luis Almargo.

© REUTERS / DAVID MERCADOManifestante segura uma bomba de gás lacrimogênio nas mãos, em meio à conflitos entre manifestantes na Bolívia, no dia 5 de novembro

A OEA mencionou que "ainda resta o relatório final detalhado" sobre as eleições, ressaltando que "os mandatos constitucionais não devem ser interrompidos, incluindo o do presidente Evo Morales".

Além disso, a Secretaria Geral da organização reiterou "o apelo para evitar o excesso de violência" e enviou "sua solidariedade ao povo boliviano".

Os protestos na Bolívia se iniciaram há três semanas, depois das alegações da oposição sobre uma suposta fraude nas eleições realizadas no dia 20 de outubro.

Por sua vez, o presidente Morales afirma que os atos de violência e a alegação da oposição são elementos de "um plano de golpe fascista".

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