Advogados e jornalistas denunciam a CIA por espionar conversas de Julian Assange na embaixada do Equador

O jornalista e ativista australiano está em uma prisão de segurança máxima em Londres aguardando sua extradição para os Estados Unidos

ARN - “Estamos processando em nome de várias pessoas que foram à embaixada equatoriana visitar Julian Assange e, sem que eles soubessem, todos os seus equipamentos foram fotografados e suas conversas foram gravadas por uma empresa sob a direção de Mike Pompeo”, disse Richard Roth, um dos advogados de Assange, em entrevista coletiva. 

O processo foi aberto em Nova York na segunda-feira e alega que Pompeo supervisionou e dirigiu "uma campanha extraordinária de espionagem ilegal contra os advogados de Assange e outros dentro da embaixada".

“Pompeo não apenas liderou o esforço, mas seus agentes, com a ajuda da equipe de segurança de Sheldon Adelson, também recrutaram David Morales, então CEO da UC Global, para implementar as violações”, dizem os queixosos. 

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Em 2012, o jornalista de 51 anos, acusado pelas autoridades norte-americanas de vazar informações e documentos em seu site WikiLeaks, se refugiou na Embaixada do Equador em Londres, mas em 2019 foi preso em cumprimento a uma ordem judicial ligada ao pedido de extradição dos Estados Unidos, depois que o Equador retirou seu status de asilo.

Em 20 de abril deste ano, a Justiça britânica autorizou formalmente a extradição de Assange para os Estados Unidos, mas sua execução aguarda a assinatura da ministra do Interior britânica, Priti Patel. Cabe apelação. Ele está atualmente na prisão de segurança máxima de Belmarsh, em Londres, enquanto seu recurso contra sua entrega aos Estados Unidos está sendo resolvido.

Ex-presidentes latino-americanos pedem sua libertação 

Personalidades como Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ex-presidentes do Brasil, Ernesto Samper, ex-presidente da Colômbia, Fernando Lugo, ex-presidente do Paraguai, e os juristas Adoración Guamán e Baltasar Garzón, assinaram em dezembro uma declaração que o Grupo Puebla e o Conselho Latino-Americano de Justiça e Democracia (CLAJUD) emitiram neste domingo exigindo sua liberdade.

“A decisão do Tribunal de Westminster (Reino Unido), de 10 de dezembro de 2021, que permite a extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, não é apenas um grave erro judicial que coloca em risco sua vida, como afirmaram seus advogados de defesa, mas é uma decisão que abre precedentes sérios na violação do direito humano à liberdade de expressão e informação", diz a carta.

Além disso, os signatários da carta apontaram o paradoxo de que a ação do WikiLeaks, em vez de ser aplaudida, "desencadeou uma série de punições que incluem a acusação, difamação, desmoralização, estigmatização e criminalização de Assange, privado de liberdade em regime de segurança máxima". "Esse processo de humilhação e difamação definitivamente transcende um indivíduo, para se tornar um corretivo em nível internacional, mostrando passo a passo a crueldade que o sistema instituído pode atingir, para evitar que alguém se atreva a fazer algo semelhante"".

Por fim, no texto afirmam que "a liberdade de Assange é a liberdade de todos. A prisão de Assange é o triunfo da opressão, do silêncio e do medo".

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