Agrotóxicos e desmatamento fazem boicote a produtos brasileiros ser ampliado

Dono de uma rede de mercearias especializadas na venda de alimentos orgânicos na Suécia, a Paradiset, Johannes Cullberg , convocou outros empresário a somar-se ao boicote proposto por ele

(Foto: Foto: Divulgação)

Rede Brasil Atual – Dono de uma rede de mercearias especializadas na venda de alimentos orgânicos na Suécia, a Paradiset, Johannes Cullberg ficou conhecido internacionalmente no começo de junho, quando mandou retirar de todas as suas prateleiras os produtos brasileiros que comercializava – melões, suco de laranja, água de coco, café e chocolate, entre outros. A iniciativa de propor a outros lojistas que fizessem o mesmo, em reação à farra dos agrotóxicos no Brasil, desagradou o governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Uma semana depois, em 12 de junho, a embaixada brasileira em Estocolmo divulgou carta aberta ao empresário, negando que o Brasil ocupe o primeiro lugar no ranking do consumo de agrotóxicos. Estaria entre o quinto e sétimo lugar, segundo o comunicado. Sobre as novas liberações, que já somam 290 em sete meses de governo, afirmou se tratar de uma necessidade do país de clima tropical, onde há grande variedade de pragas, insetos, fungos e bactérias e taxas de proliferação maiores que na Europa. E que isso aumenta os desafios e a exigência de agrotóxicos específicos para conter os elementos que prejudicam a agricultura e a produção. A embaixada destacou ainda que, como nas regiões tropicais é possível produzir até três safras por ano, a demanda por esses produtos acaba sendo bem maior.

A resposta da Paradiset foi dada no dia seguinte. Também em carta aberta, Cullberg afirmou ser inaceitável para ele, como para qualquer pessoa, que a exposição a agrotóxicos tenha causado 4.208 casos de intoxicação e 355 mortes somente em 2016, como mostram dados da Rede Europeia de Cientistas para a Responsabilidade Socioambiental.  E salientou que, caso isso não fosse o bastante, em maio deste ano foi desmatada na Amazônia uma área de 739 quilômetros quadrados.  Como se uma área do tamanho de dois campos de futebol fosse desmatada a cada minuto.

Cullberg também se referiu ao anúncio de Bolsonaro de permitir a mineração na floresta Amazônica. “É totalmente incompreensível para mim, considerando que ele, como presidente, deveria ser o modelo para o país inteiro”. E clamou aos diplomatas brasileiros na Suécia: “Agora é tempo, mais do que nunca, em que precisamos proteger e cuidar da melhor maneira do nosso planeta. E não acelerar no sentido contrário, como o Sr. Bolsonaro está fazendo. As ações de Bolsonaro não afetam apenas o Brasil, mas o mundo inteiro”.

Ainda em sua carta, o sueco se voltou para a sociedade como um todo:  “Mesmo que o mercado do seu bairro escolha não boicotar os produtos brasileiros, você pode. Qualquer ação, por menor que seja, faz a diferença. Então, por favor, junte-se a mim nesta luta para que nosso planeta sobreviva. Nós não teremos uma segunda chance.”

Desde então, o empresário passou a liderar a campanha #BoycottBrazilianFood, que conta com a adesão crescente da população em geral, de organizações ambientalistas e de universidades. O crescente alarme sobre o aumento do desmatamento na Amazônia e da aprovação de novos agrotóxicos, segundo crê, têm contribuído para a conscientização da situação crítica não só para o Brasil como para todo o mundo.

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