'Ajuda humanitária' aos venezuelanos é um show midiático, diz jornalista

A suposta ajuda humanitária não chegou à população do país vizinho nem pela fronteira com o Brasil, nem com a Colômbia, afirma o repórter André Vieira; para ele, a operação nas fronteiras da Venezuela com Colômbia e Brasil é um show midiático, com o objetivo de convencer o mundo de que há uma mobilização para tentar ajudar o povo venezuelano

'Ajuda humanitária' aos venezuelanos é um show midiático, diz jornalista
'Ajuda humanitária' aos venezuelanos é um show midiático, diz jornalista (Foto: William Urdaneta/Reuters)

Da Rede Brasil Atual - Segundo o repórter André Vieira, que acompanha a crise venezuelana para a rede Telesur e o Brasil de Fato, a suposta ajuda humanitária não chegou à população do país vizinho nem pela fronteira com o Brasil, nem com a Colômbia. Para ele, a operação nas fronteiras da Venezuela com Colômbia e Brasil é um show midiático, com o objetivo de convencer o mundo de que há uma mobilização para tentar ajudar o povo venezuelano.

"O governo venezuelano denuncia essa suposta ajuda humanitária porque já se viu isso acontecer em outros países, como Líbia e Síria, em situações de pré-guerra. É toda uma ação que faz parte de uma cartilha. Se os Estados Unidos querem realmente ajudar o povo venezuelano, por que não retiram as sanções, que são a razão de alimentos e medicamentos não chegarem à Venezuela?", questiona.

"Os interesse dos Estados Unidos são pelo petróleo e pelo ouro. Ele denunciam que a Venezuela estaria prendendo menores, mas não dizem que o governo de Donald Trump vem aprisionando menores de famílias de imigrantes."

Segundo o jornalista, a situação é tranquila, depois de um fim de semana tenso, com provocações dos opositores do presidente Nicolás Maduro na fronteira. No sábado e no domingo, enquanto se esperava a confirmação de que 200 toneladas de "ajuda" chegariam aos venezuelanos, o que se viu foram apenas duas caminhonetes venezuelanas escoltadas pela Polícia Rodoviária Federal que nem mesmo chegaram do outro lado da fronteira, mas ficaram dentro do batalhão das forças brasileiras.

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O autoproclamado presidente Juan Guaidó, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, e opositores de Maduro chegaram a comemorar a chegada da suposta ajuda, conta Vieira. "Mas o único carregamento que chegou na Venezuela foi de fake news."

"O que presenciamos foi que quem foi vitorioso foi o governo bolivariano. O governo Maduro diz que o objetivo da operação foi criar o caos na Venezuela, tentar provocar um confronto entre os próprios venezuelanos para justificar uma intervenção que pode chegar a ser militar, mas não conseguiram."

Segundo Vieira, as provocações no sábado e no domingo começaram por parte dos grupos opositores, que jogaram pedras nos soldados venezuelanos e pneus pegando fogo perto de um posto de gasolina da PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, colocando em risco as pessoas que estavam no local.

"Não era uma mobilização espontânea, era um grupo que dirigia isso. O exército venezuelano respondeu muito tempo depois com bombas de gás lacrimogêneo para evitar que a agressão com as pedras continuasse e também evitar, por exemplo, a possibilidade de um posto de gasolina explodir."

Na reunião do Grupo de Lima, em Bogotá (Colômbia), na segunda-feira (25), o vice-presidente brasileiro, general Hamilton Mourão, defendeu que o Brasil deve ajudar na busca de uma solução pacífica para a questão venezuelana, mas defendeu sanções econômicas ao governo de Maduro. "O Brasil acredita firmemente que é possível devolver à Venezuela ao convívio democrático das Américas, sem qualquer medida extrema que nos confunda, nações democráticas, com aquelas que serão julgadas pela história como invasoras e violadoras das soberanias nacionais", alertou.

No twitter, Mourão advogou pela não intervenção. "Vamos manter a linha de não intervenção, acreditando na pressão diplomática e econômica internacional para buscar uma solução pacífica", disse o vice brasileiro.

Também no contexto da reunião do Grupo de Lima, o vice-ministro das Relações Exteriores do Peru, Hugo de Zela, foi enfático e afirmou que "O uso da força é inaceitável". De acordo com ele, o grupo "quer uma solução pacífica para a Venezuela".

Em carta enviada ao jornalista Fernando Morais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sobre a crise. "Por mais errado que seja o Maduro, ele é problema para os venezuelanos e não para os americanos."

Também no Twitter, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, postou uma foto ao lado de Juan Guaidó e afirmou ser "um grande privilégio compartilhar esse momento" com o opositor de Maduro. Segundo Pence, Trump e os Estados Unidos da América estão com Guaidó "100%".

Na reunião do grupo de Lima, o norte-americano falou em tom ameaçador, dizendo que "todas as opções estão à mesa" e que o objetivo é "restaurar a liberdade" na Venezuela.

Cruz Vermelha
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que não participa da operação na fronteira venezuelana, criticou nas redes sociais o uso indevido de seu emblema e a politização de movimentos de ajuda humanitária. "Tivemos conhecimento que algumas pessoas que não são vinculadas ao CICV estão usando nosso emblema nas fronteiras #Colômbia-#Venezuela e #Brasil-Venezuela", afirmou no Twitter.

Segundo a entidade, as organizações que usam seu emblema sem autorização "correm o risco de comprometer nossa neutralidade, imparcialidade e independência".

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