Amazon, Google, Facebook e Apple sairão da pandemia mais ricas e fortes

Em audiência com os CEOs dos gigantes da tecnologia, o presidente da comissão antitruste do Congresso dos EUA, David Cicilline, afirmou que empresas como Amazon, Apple, Google e Facebook devem sair da pandemia de Covid-19 ainda mais fortes

(Foto: Reprodução)
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RFI - Amazon, Apple, Google e Facebook são poderosos demais e provavelmente sairão da pandemia de coronavírus ainda mais fortes. É o que afirmou nesta quarta-feira (29) o presidente da comissão antitruste do Congresso dos Estados Unidos, David Cicilline, ao abrir uma audiência sem precedentes com os CEOs dos gigantes da tecnologia.

"Seja se privilegiando, estabelecendo preços predatórios ou levando os usuários a comprar produtos adicionais, as plataformas digitais dominantes exerceram de forma destrutiva e prejudicial seu poder de expansão", afirmou o parlamentar democrata sobre as gigantes Google, Amazon, Facebook e Apple, conhecidos com GAFA.

O congressista norte-americano Jim Sensenbrenner, por sua vez, fez comentários mais moderados em sua abertura. Ele observou que as grandes empresas da tecnologia foram cruciais nos novos estilos de vida moldados pela pandemia.

"Ser grande não é necessariamente ruim", disse Sensenbrenner. "Pelo contrário, nos Estados Unidos você deve ser recompensado pelo sucesso." Ele acredita que as leis antitruste do país devem se adaptar às inovações trazidas pelas companhias tecnológicas bem-sucedidas e influentes.

"Quero sair daqui hoje com uma imagem mais completa de como suas empresas usam seu tamanho e poder", declarou Sensenbrenner.

Os poderosos sob o crivo do Congresso

Na audiência conjunta perante o Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes estão Tim Cook, da Apple; Jeff Bezos, da Amazon; Mark Zuckerberg, do Facebook, e Sundar Pichai, do Google e sua empresa-mãe, a Alphabet. Os congressistas interrogam os quatro diretores sobre como lidam com sua posição dominante no mercado.

Em comentários divulgados na terça-feira, Zuckerberg e Bezos destacaram que pretendem defender o sucesso de suas empresas em um mundo de grande concorrência.

"O Facebook é uma empresa orgulhosamente americana", afirmará Zuckerberg, de acordo com trechos de seu discurso divulgados antecipadamente. "Nossa história não seria possível sem as leis americanas que incentivam a concorrência e a inovação", acrescentará, mesmo se pretende pedir que as regras da Internet sejam atualizadas.

Em uma mensagem publicada na véspera, Bezos destacou que a "Amazon deve ser examinada" pelos legisladores, como qualquer grande organização.

Mas, depois de classificar sua empresa de comércio eletrônico como um "sucesso" dos Estados Unidos, se mostrou desafiante ao destacar que "quando você se olha no espelho, avalia as críticas e ainda acredita que está fazendo a coisa certa, nenhuma força no mundo poderá detê-lo". Esta será a primeira vez que Bezos comparecerá a uma audiência no Congresso.

Regulação

Zuckerberg também reconheceu "preocupações sobre o tamanho e o poder das empresas de tecnologia". "É por isso que pedi um papel mais ativo para governos e reguladores além de regras atualizadas para a Internet", continua.

O debate ocorre em meio a preocupações crescentes com o domínio dos gigantes de tecnologia, ainda mais evidente durante a pandemia de coronavírus. "Por fim, acredito que as empresas não deveriam fazer tantos julgamentos sobre questões importantes, como conteúdo nocivo, privacidade e integridade das eleições por conta própria", destacou Zuckerberg.

Desta forma, o chefão do Facebook se antecipa a críticas previsíveis, que já recebeu em particular de democratas e organizações civis, que consideram a rede social muito permissiva a respeito de mensagens da extrema-direita ou comentários ofensivos do presidente Donald Trump. Os republicanos, porém, acreditam que são censurados pelas plataformas fundadas no Silicon Valley, na Califórnia, um reduto democrata.

A audiência no Comitê Judicial deve se concentrar no debate sobre se os quatro gigantes da internet aplicam práticas de monopólio. As atuais leis antimonopólio dos Estados Unidos dificultam maiores restrições às empresas simplesmente por serem grandes ou dominantes, sem danos aos consumidores ou abuso de poder de mercado.

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