Antes da posse de Bolsonaro, Netanyahu se mete em polêmica e antecipa eleições em Israel

Israel decidiu dissolver o Knesset, o ramo legislativo do governo, e pediu eleições antecipadas em meio a tensões sobre um projeto de lei para legislar o recrutamento militar para homens ultra-ortodoxos. "Se é muito difícil, precisamos de eleições", declarou Netanyahu

Antes da posse de Bolsonaro, Netanyahu se mete em polêmica e antecipa eleições em Israel
Antes da posse de Bolsonaro, Netanyahu se mete em polêmica e antecipa eleições em Israel (Foto: REUTERS/Ronen Zvulun)

Sputinik – Israel decidiu dissolver o Knesset, o ramo legislativo do governo, e pediu eleições antecipadas em meio a tensões sobre um projeto de lei para legislar o recrutamento militar para homens ultra-ortodoxos.

Os líderes dos partidos da coalizão decidiram unanimemente "dissolver o Knesset e ir a novas eleições no início de abril, depois de um mandato de quatro anos", disse a declaração do partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A eleição nacional havia sido programada para novembro de 2019.

A ideia para as eleições antecipadas foi proposta por Netanyahu na reunião desta segunda-feira. O presidente da coalizão, David Amsalem, respondeu que era difícil aprovar a lei de recrutamento militar com a atual maioria do governo. A frágil coalizão tem apenas 61 membros em 120 no Knesset.

"Se é muito difícil, precisamos de eleições", declarou Netanyahu.

Em setembro de 2017, a Suprema Corte de Israel determinou que o projeto de lei existente, que isentava os judeus ultra-ortodoxos de serem recrutados para o exército, era ilegal. Este ano, o governo recebeu várias prorrogações para a anulação completa do projeto de lei. O prazo está definido para meados de janeiro de 2019.

As notícias sobre a dissolução do Knesset e as eleições antecipadas chegam horas depois de Yair Lapid, presidente do partido de oposição Yesh Atid, ter dito que seu partido votará contra o projeto. Netanyahu "se rendeu aos ultra-ortodoxos porque tem medo deles", disse Lapid ao seu partido.

A renúncia de Avigdor Lieberman como ministro da Defesa e a retirada de seu partido da coalizão governista acrescentaram mais incertezas ao sombrio futuro do Knesset. Ele também não apoia a nova lei.

Israel há muito tem um projeto compulsório, com homens servindo nas Forças Armadas por quase três anos e mulheres por dois anos. No entanto, os judeus Haredi ultra-ortodoxos têm sido tradicionalmente isentos do serviço militar no país. Eles insistem que sempre serviram à sociedade através da oração e estudo e ajudaram a proteger a cultura judaica. Haredi é um termo coletivo para grupos de judeus ultra-ortodoxos que se consideram os mais religiosamente autênticos, e rejeitam a cultura secular moderna.

A legislação foi recebida com feroz oposição entre os judeus ultra-ortodoxos, que repetidamente encenaram protestos e entraram em confronto com a polícia. Alguns ativistas dizem que preferem morrer a ser recrutados.

O anúncio liderado por Netanyahu acontece às vésperas da sua viagem ao Brasil, onde acompanhará a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) em 1º de janeiro de 2019. O premiê israelense chega ao país na próxima sexta-feira, e deve se reunir com Bolsonaro em sua casa, no Rio de Janeiro, antes da posse.

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