Após problemas com tropas do Brasil, Haiti não quer nova missão da ONU

Governo do presidente haitiano, Jovenel Moise, saudou o envio da Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (Minujusth) em meio ao ceticismo da oposição; missão da ONU criada para restaurar a estabilidade no país terminou em outubro após 13 anos; conhecida como Minustah, a missão, que teve participação do Brasil, foi assolada por polêmicas, como a introdução do cólera na ilha e alegações de abuso sexual; "O país não deveria esperar nada de positivo desta nova missão, que é só uma tática para continuar a ocupação que o povo haitiano rejeitou", disse o ex-candidato presidencial Eric Jean-Baptiste

A soldier gestures as people stand in line seeking to join the country's reformed military in Gressier, Haiti July 18, 2017. REUTERS/Jeanty Junior Augustin
A soldier gestures as people stand in line seeking to join the country's reformed military in Gressier, Haiti July 18, 2017. REUTERS/Jeanty Junior Augustin (Foto: Paulo Emílio)

Reuters - Uma nova missão com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) para auxiliar o sistema de justiça do Haiti causou reações mistas entre políticos locais e grupos da sociedade civil devido a críticas já antigas à sua antecessora.

O governo do presidente haitiano, Jovenel Moise, saudou o envio da Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (Minujusth) em meio ao ceticismo da oposição.

Uma missão da ONU criada para restaurar a estabilidade no país na esteira de um golpe de Estado em 2004 terminou em outubro após 13 anos.

Conhecida como Minustah, a missão, que teve participação do Brasil, foi assolada por polêmicas, como a introdução do cólera na ilha e alegações de abuso sexual. A nova missão se concentrará especificamente no sistema de justiça e na polícia.

Mamadou Diallo, vice-representante especial do secretário-geral da ONU no Haiti e diretor interino da nova missão, disse que seu propósito é aprofundar o trabalho da Minustah de forma a intensificar a segurança e fortalecer a democracia e as instituições da nação.

Isso permitirá que um "contrato social" entre os governantes e o povo do Haiti seja estabelecido, disse Diallo.

Mas a Minujusth já se tornou alvo de críticas.

"O país não deveria esperar nada de positivo desta nova missão, que é só uma tática para continuar a ocupação que o povo haitiano rejeitou", opinou o ex-candidato presidencial Eric Jean-Baptiste.

O coronel aposentado do Exército Himmler Rebu, ex-ministro de gabinete e também ex-postulante à Presidência, usou palavras igualmente duras.

"A missão de estabilização da ONU esteve aqui durante 13 anos e eles não fizeram nada, exceto evitar que bandidos armados tomassem o palácio presidencial", afirmou Rebu.

A nova missão, iniciada oficialmente na semana passada, tem um mandato renovável de seis meses que termina em 15 de abril de 2018, contará com 1.275 policiais da ONU e treinará a Polícia Nacional do Haiti.

Lucien Jura, porta-voz de Moise, disse que o presidente espera que a Minujusth ajude a corrigir falhas do judiciário, e várias organizações da sociedade civil expressaram a esperança de que consiga fazer a diferença.

Mas muito dependerá dos líderes haitianos, disseram.

"A missão pode ter todo o bem que você puder imaginar, mas se as autoridades haitianas não fizerem sua parte nos esforços... podemos não ter os resultados esperados", alertou Pierre Esperánce, diretor da Rede Nacional para Defender os Direitos Humanos, conhecida como RNDDH.

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