Após tragédia em balsa, vice-diretor comete suicídio

O vice-diretor da escola de segundo grau sul-coreana que acompanhou centenas de alunos no que se tornou uma viagem de balsa desastrosa cometeu suicídio, segundo a polícia, quando diminuíram as esperanças de encontrar com vida qualquer um dos 268 passageiros desaparecidos; Kang Min-gyu, de 52 anos, não era visto desde quinta-feira; ele teria se enforcado com seu cinto em uma árvore; dos 475 passageiros e tripulantes a bordo, 28 foram declarados oficialmente mortos antes do suicídio de Kang, e 179 foram resgatados. A grande maioria dos estudantes era da escola de segundo grau Dan

Maritime police search for missing passengers in front of the South Korean ferry "Sewol" which sank at the sea off Jindo April 16, 2014. Almost 300 people were missing after a ferry capsized off South Korea on Wednesday, despite frantic rescue efforts inv
Maritime police search for missing passengers in front of the South Korean ferry "Sewol" which sank at the sea off Jindo April 16, 2014. Almost 300 people were missing after a ferry capsized off South Korea on Wednesday, despite frantic rescue efforts inv (Foto: Paulo Emílio)

Reuters - O vice-diretor da escola de segundo grau sul-coreana que acompanhou centenas de alunos no que se tornou uma viagem de balsa desastrosa cometeu suicídio, disse a polícia nesta sexta-feira, quando diminuíram as esperanças de encontrar com vida qualquer um dos 268 passageiros desaparecidos.

Kang Min-gyu, de 52 anos, não era visto desde quinta-feira. Ele parece ter se enforcado com seu cinto em uma árvore do lado de fora de um ginásio na cidade portuária de Jindo, onde parentes dos desaparecidos, a maioria alunos da escola, se reúnem.

A polícia informou que Kang não deixou um bilhete de suicida e que começou a procurá-lo depois que um colega professor avisou sobre seu sumiço. Ele foi resgatado da balsa depois que esta afundou na quarta-feira.

Dos 475 passageiros e tripulantes a bordo, 28 foram declarados oficialmente mortos antes do suicídio de Kang, e 179 foram resgatados. A grande maioria dos estudantes era da escola de segundo grau Danwon, nos arredores da capital Seul, e fazia um passeio a uma ilha vizinha.

Os mergulhadores lutam com marés fortes e águas turvas para chegar à embarcação afundada, mas a probabilidade de encontrar alguém vivo é pequena.

Na escola em Ansan, cidade industrial perto de Seul, muitos amigos e familiares dos desaparecidos se reuniram em silêncio, com soluços ocasionais rompendo a quietude.

"Quando recebi a chamada me contando a notícia, ainda tinha esperança", disse Cho Kyung-mi, que esperava notícias de seu sobrinho de 16 anos na escola.

"Agora ela se foi".

Nas salas de aula dos desaparecidos, colegas deixaram mensagens nas carteiras, lousas e janelas, pedindo a volta em segurança de seus amigos ausentes.

"Se te vir novamente, te direi que te amo, porque não te falei o suficiente", dizia uma mensagem.

CAPITÃO INVESTIGADO

As investigações sobre o naufrágio, o pior acidente marítimo da Coreia do Sul em 21 anos levando em conta possíveis baixas, concentraram-se na possível negligência da tripulação, em problemas com o armazenamento de bagagem e em defeitos estruturais na embarcação, embora ela parecesse ter passado em todas as verificações de segurança.

O capitão de 69 anos também está sendo investigado depois que testemunhas disseram que ele estava entre os primeiros a escapar da balsa, que fazia uma viagem de 400 quilômetros da cidade portuária de Incheon à ilha turística de Jeju.

De acordo com os investigadores, o capitão Lee Joon-seok não estava na ponte de comando quando a balsa Sewol começou a se inclinar fortemente. Um oficial menos graduado conduzia o leme.

Nesta sexta-feira os promotores emitiram mandados para Lee, o oficial no leme e mais um tripulante por falhar em sua função de ajudar os passageiros.

"Não tenho certeza onde o capitão estava antes do acidente. Mas, logo depois, eu o vi na minha frente correndo de volta para a cabine de comando", disse Oh Young-seok, um dos timoneiros da balsa, que estava de folga e descansava na ocasião.

"Ele me perguntou calmamente o quanto o barco estava inclinado, e tentou reequilibrá-lo", declarou Oh, falando de uma cama de hospital na cidade de Mokpo, para onde os feridos foram levados.

(Reportagem adicional de Jack Kim, Miyoung Kim, James Pearson, Sohee Kim e Cho Meeyoung)

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