As armas dos rebeldes sírios

A pobre Síria não está apenas vivendo a guerra no sentido mais "conhecido" da triste palavra. As informações estão desencontradas e o conflito nesse campo também acontece

A pobre Síria não está apenas vivendo a guerra no sentido mais "conhecido" da triste palavra. As informações estão desencontradas e o conflito nesse campo também acontece.

Na última semana, foi divulgado que Israel teria bombardeado parte do território sírio. Motivo? Evitar que Bashar al-Assad enviasse armas à milícia radical libanesa Hezbollah.

Demorou (para os padrões desse tipo de situação) para se confirmar a veracidade do fato. Quem se manifestou primeiro, obviamente, foi o governo da Síria. "O ataque foi uma declaração de guerra e vamos responder no momento adequado", bradou um ministro-adjunto.

O silêncio da comunidade internacional confirmou que Israel atacou a Síria. Tel-Aviv, como de costume, não se pronunciou.

O leitor deve entender que a situação no país piorou (?) após denúncias, não confirmadas, que Assad usou gás sarin (que pode causar morte cardiorrespiratória) na guerra civil. Obama já havia alertado que tal atitude "ultrapassaria a linha vermelha de tolerância por parte dos EUA". A ação militar, então, era aguardada.

Como é esperado, a Casa Branca não quer entrar em outro barco furado, como foi Iraque e Afeganistão – as guerras mais caras da história do país e sem resultados satisfatórios. É muito mais provável que Washington forneça armas aos rebeldes. Mas isso tem um grande risco: entre a oposição estão infiltrados homens da terrível Al-Qaeda. Ninguém quer imaginar terroristas armados até os dentes.

Para bagunçar ainda mais o traumático panorama, no domingo (5), Carla del Ponte, inspetora da Comissão da ONU que investiga o conflito, disse que os insurgentes estavam utilizando gás sarin contra as tropas governistas. Carla também declarou que investigava a "participação do lado de Assad" no uso de armas químicas.

Mesmo que aqueles que acompanham a guerra já tivessem dito que os dois lados praticam atrocidades diariamente, a chancela da ONU deixou o Ocidente, que apoia as milícias anti-Assad, em saia justa.

No entanto, conhecemos esse "mundo da diplomacia". Ou melhor, pensamos que conhecemos. Na manhã desta segunda, o presidente da Comissão da ONU sobre a Síria, o brasileiro Paulo Pinheiro, desmentiu sua funcionária. "Não há provas definitivas do uso de armas químicas, tanto do lado rebelde quanto da parte do governo", falou. Ficamos na mesma, para a desgraça do povo sírio.

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