Assange foi alvo de torturas e violações de direitos, denuncia enviado da ONU

O editor do WikiLeaks, Julian Assange, foi submetido a "tortura psicológica" e seus direitos de devido processo legal foram "sistematicamente violados" por todos os Estados envolvidos, de acordo com o relator especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer

Julian Assange preso em Londres
Julian Assange preso em Londres

Sputnik Brasil - Dois médicos especialistas acompanharam Melzer quando ele visitou Assange na prisão de Belmarsh, no Reino Unido, declarou ele na terça-feira.

"Chegamos à conclusão de que ele havia sido exposto a tortura psicológica por um período prolongado de tempo. Essa é uma avaliação médica", explicou o oficial da ONU.

A mensagem de Melzer caiu amplamente em ouvidos surdos, pois apenas alguns repórteres compareceram à conferência de imprensa de terça-feira na sede da ONU em Nova York.  

Não foi a primeira vez que Melzer tentou chamar a atenção para a situação de Assange. Ele escreveu um artigo de opinião sobre o assunto em junho, apenas para encontrá-lo ignorado ou rejeitado pelos principais meios de comunicação, e acabou publicando cartas abertas aos governos dos EUA, Reino Unido, Equador e Suécia em julho.  

"Pedimos a todos os Estados envolvidos que investigassem esse caso e aliviassem a pressão exercida sobre ele, e especialmente respeitassem seus direitos de devido processo, que, na minha opinião, foram sistematicamente violados em todas essas jurisdições", prosseguiu Melzer. Nenhum país concordou em fazê-lo, acrescentou ele, embora essa fosse sua obrigação sob a Convenção sobre Tortura.

A polícia britânica arrastou Assange para fora da embaixada equatoriana em 11 de abril, depois que o governo do presidente Lenín Moreno revogou seu asilo, concedido em 2012. O editor do WikiLeaks passou quase sete anos dentro da embaixada em Londres, onde procurou refúgio e asilo contra os pedidos de prisão e extradição dos EUA, por acusações relacionadas à publicação em 2010 de documentos secretos do governo relacionados às guerras no Iraque e no Afeganistão.

Assange, de 48 anos, foi preso - e depois preso por uma sentença de 50 semanas por evasão de fiança - na instalação de segurança máxima usada para abrigar terroristas, assassinos e outros criminosos de alto nível. Segundo informações, ele passou boa parte do tempo no hospital da prisão.

Embora ele fosse ser libertado em 22 de setembro, um juiz decidiu que ele continuaria preso até as audiências de sua extradição para os EUA, agendadas para fevereiro de 2020. Se enviado para os EUA e condenado, ele pode pegar até 175 anos atrás das grades.

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