HOME > Mundo

Ativistas de flotilha para Gaza denunciam abusos em prisão israelense, incluindo estupro

Relatos envolvem agressões físicas, violência sexual e uso de tasers após interceptação de embarcações com ajuda humanitária; Israel nega acusações

Ativistas da Flotilha Global Sumud ajoelhados durante prisão ilegal por Israel (Foto: Reprodução X / Itamar Ben-Gvir)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - Ativistas detidos por Israel após participarem de uma flotilha humanitária destinada à Faixa de Gaza denunciaram uma série de abusos durante o período em que permaneceram sob custódia israelense. Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, os relatos incluem agressões físicas, violência sexual e até estupro. Diversos participantes também teriam sofrido ferimentos graves, incluindo fraturas e lesões provocadas por balas de borracha e armas de choque.

As denúncias foram feitas por organizadores da Global Sumud Flotilha e por integrantes da missão que já retornaram aos seus países de origem. O serviço penitenciário de Israel rejeitou as acusações e afirmou que todos os detentos foram tratados “de acordo com a lei” e com “pleno respeito aos seus direitos básicos”.

Em vídeo enviado à TV 247, o internacionalista brasileiro Thiago Ávila relatou as agressões israelenses aos integrantes da Flotilha. Assista: 

A flotilha interceptada pelas forças israelenses era composta por 50 embarcações e transportava voluntários e suprimentos destinados à população de Gaza. Segundo autoridades israelenses, 430 pessoas foram detidas durante a operação realizada em águas internacionais na terça-feira.

Em comunicado publicado no Telegram, os organizadores da missão relataram: “Pelo menos 15 casos de agressões sexuais, incluindo estupro. Atingidos por balas de borracha à queima-roupa. Dezenas de pessoas com ossos quebrados”.

O grupo acrescentou ainda que os episódios relatados representam apenas uma pequena amostra da violência enfrentada diariamente pelos palestinos sob custódia israelense.

Um dos participantes da flotilha, o economista italiano Luca Poggi, descreveu à Reuters o tratamento recebido após a detenção. “Fomos despidos, jogados no chão, chutados. Muitos de nós fomos atingidos por taser, alguns foram agredidos sexualmente e outros não tiveram acesso a um advogado”, afirmou ao desembarcar em Roma.

As denúncias já começaram a gerar repercussão internacional. Na Itália, uma fonte jurídica informou que promotores de Roma abriram investigação sobre possíveis crimes, entre eles sequestro, tortura e agressão sexual. Os ativistas italianos deverão prestar depoimento nos próximos dias.

O governo da Alemanha também se pronunciou sobre o caso. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão declarou que diplomatas que acompanharam a chegada dos cidadãos alemães em Istambul constataram ferimentos em alguns ativistas, que passaram por exames médicos.

Segundo o representante alemão, “o tratamento humano dos cidadãos alemães é uma prioridade absoluta” e as acusações apresentadas são consideradas “sérias”.

Já Sabrina Charik, responsável por coordenar o retorno de 37 cidadãos franceses envolvidos na missão, afirmou à Reuters que cinco franceses precisaram ser hospitalizados na Turquia. Alguns apresentavam costelas quebradas e fraturas vertebrais. Ela também relatou denúncias detalhadas de violência sexual, incluindo estupro.

Na Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, informou que 44 integrantes espanhóis da flotilha retornariam ao país ao longo da sexta-feira em voos vindos de Istambul para Madri e Barcelona. Quatro deles receberam atendimento médico por conta dos ferimentos sofridos.

As acusações contra Israel ganharam ainda mais repercussão após a divulgação de um vídeo em que o ministro israelense Itamar Ben-Gvir aparece em uma prisão zombando de alguns dos ativistas detidos. O episódio provocou críticas internacionais e levou países europeus a discutirem possíveis sanções contra o integrante do governo israelense.

Em resposta às denúncias, o serviço penitenciário de Israel afirmou: “As alegações levantadas são falsas e totalmente sem base factual”.

O órgão acrescentou: “Todos os prisioneiros e detentos são mantidos de acordo com a lei, com total respeito aos seus direitos básicos e sob a supervisão de funcionários profissionais e treinados da prisão”. Segundo o comunicado, o atendimento médico oferecido aos detidos seguiu critérios profissionais e orientações do Ministério da Saúde israelense.

Artigos Relacionados