Bolsonaro é um solitário e desprezível pária político, afirmam lideranças da América Latina

Nota assinada pelo Grupo de Puebla, que inclui ex-ministros e ex-presidentes do continente, além de parlamentares e juristas, como Fernando Haddad, Rafael Correa, Ernesto Samper e José Luis Rodríguez Zapatero, único representante europeu, repudia "veementemente as vergonhosas agressões" de Bolsonaro contra Michelle Bachelet e diz que elas confirmam que o político é incapaz de conviver com a comunidade internacional

247 - Um grupo de intelectuais progressistas da América Latina, o Grupo de Puebla, que inclui ex-ministros e ex-presidentes do continente, além de parlamentares e juristas, divulgou uma nota em repúdio aos ataques de Jair Bolsonaro à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e manifesta sua solidariedade à ex-presidente do México e ao seu pai, o General Alberto Bachelet, torturado e assassinado pela ditadura de Pinochet. 

Nesta quarta-feira 4, Bolsonaro fez o mais odioso de seus ataques até hoje: elogiou a tortura e morte do pai de Bachelet pelo regime sanguinário de Pinochet, afirmou que o Chile "só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973" e disse que a ex-presidente está "seguindo a linha" do presidente da França, Emmanuel Macron, tentando se "intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira" ao falar de direitos humanos.

Na nota, o Grupo de Puebla repudia "veementemente as vergonhosas agressões" de Bolsonaro e diz que elas confirmam que o presidente brasileiro "é incapaz de conviver, de forma civilizada e democrática, com a comunidade internacional". "Sua inacreditável defesa da brutal ditadura de Pinochet, repudiada de formaunânime pelo mundo civilizado, o torna um solitário e desprezível pária político", diz o texto.

Confira a íntegra da nota:

NOTA OFICIAL

Nós, “Grupo de Puebla”, repudiamos veementemente as vergonhosas agressões do presidente Bolsonaro à Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Senhora Michelle Bachelet, e ao seu pai, o General Alberto Bachelet, torturado e assassinado pela ditadura de Pinochet. 

Essas agressões demostram, mais uma vez, que Bolsonaro é incapaz de conviver, de forma civilizada e democrática, com a comunidade internacional. 

Bolsonaro, um notório defensor das ditaduras, da tortura e do extermínio de opositores democráticos, equiparados por ele a bandidos, tem absoluto desprezo pelos direitos humanos, pela democracia, pelo meio ambiente e por toda a agenda de desenvolvimento sustentável defendida pela ONU e pela comunidade internacional. 

Sua inacreditável defesa da brutal ditadura de Pinochet, repudiada de forma unânime pelo mundo civilizado, o torna um solitário e desprezível pária político. 

Sua noção estreita de soberania inclui o suposto direito de assassinar impunemente que for considerado indesejável, de negar os direitos dos povos originários e de devastar a floresta amazônica, mas exclui a defesa altaneira do patrimônio nacional e uma política externa independente. 

Fruto dessa mentalidade arcaica, seu governo devasta florestas, direitos e vidas. Bolsonaro, homem pequeno, não representa o Brasil, país magnânimo e solidário, que deseja contribuir positivamente para solucionar os problemas que afetam o planeta e a humanidade. 

Por último, enviamos toda a nossa solidariedade à senhora Michelle Bachelet, que desempenha com muita competência suas elevadas funções na ONU, e manifestamos nossa firme convicção de que o General Alberto Bachelet, seu pai, foi um militar honrado e democrático, ao contrário daqueles que defendem ditaduras e torturadores. 4 de Setembro de 2019. 

Fernando Haddad, ex Ministro de Educación y ex Candidato Presidencial, Brasil. 

Alberto Fernández, actual Candidato Presidencial, Argentina.  

Daniel Martínez Villamil, ex Ministro y Senador, actual Candidato Presidencial, Uruguay. 

José Luis Rodríguez Zapatero, ex Presidente, España. 

Rafael Correa, ex Presidente, Ecuador. 

Cuauhtémoc Cárdenas, ex Candidato Presidencial y Fundador del PRD, México. 

Karol Cariola, Diputada, Chile. 

Leonel Fernández, ex Presidente, República Dominicana. 

Julián Andrés Domínguez, ex Diputado y ex Ministro, Argentina. 

Miguel Barbosa Huerta, Gobernador de Puebla, México. 

José Miguel Insulza, ex Secretario General OEA, actual Senador, Chile. 

Camilo Lagos, Presidente Partido Progresista de Chile. 

Guillaume Long, ex Canciller, Ecuador. 

Clara López Obregón, ex Ministra del Trabajo y ex Candidata Presidencial, Colombia. 

Esperanza Martinez, ex Ministra de Salud, actual Senadora, Paraguay. 

Aloizio Mercadante Oliva, ex ministro de Educación y ex Jefe Gabinete Presidencial, Brasil. 

Alejandro Navarro, Senador, Chile. 

Carlos Ominami, ex Ministro de Economía y ex Senador, Chile. 

Yeidckol Polevnsky, Presidenta de Morena, México. 

Gabriela Rivadeneira, Asambleísta Nacional, Ecuador. 

Ernesto Samper, ex Presidente, Colombia. 

Felipe Carlos Solá, Diputado Nacional, Argentina. 

Carlos Sotelo García, ex Senador, México. 

Jorge Enrique Taiana, ex Canciller, Argentina. 

Carlos Alfonso Tomada, ex Ministro del Trabajo, actual Legislador Federal, Argentina. 

Beatriz Paredes, Senadora, México. 

Celso Amorim, ex Canciller, Brasil. 

Carol Proner, jurista, Brasil. 

Marco Enríquez-Ominami, ex Candidato Presidencial, Chile.

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