Candidato presidencial adverte que paz está em perigo na Colômbia

Acordo de Paz na Colômbia está em risco. Candidato à presidência que conduziu as negociações em nome do governo colombiano faz dramática advertência

Presidente colombiano, Juan Manuel Santos (direita), e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, durante assinatura de acordo de paz, em Cartagena. 26/09/2016 Colombian Presidency/Handout via Reuters/File Photo
Presidente colombiano, Juan Manuel Santos (direita), e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, durante assinatura de acordo de paz, em Cartagena. 26/09/2016 Colombian Presidency/Handout via Reuters/File Photo (Foto: Reinaldo)


247, com Prensa Latina - O candidato presidencial do Partido Liberal da Colômbia, Humberto de la Calle, advertiu neste domingo (29), que se a Colômbia não mudar os rumos pelos quais está percorrendo, o país voltará "ao abismo da guerra com os olhos fechados".

"Abramos os olhos, a preocupação é enorme e o acordo de paz pode ser quebrado se este caminho continuar", disse em coletiva de imprensa o ex-chefe da delegação do governo colombiano às negociações de paz de Havana.

Humberto de la Calle criticou a postura assumida pela institucionalidade quanto ao que foi acordado com a extinta guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Exército do Povo).

"A Corte Constitucional abriu as portas ao Congresso" para trair e entorpecer o Aordo de Paz, disse.

Humberto de la Calle também condenou a ofensiva contra o Acordo de Paz por parte do partido Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) e do partido do antigo vice-presidente Germán Vargas Lleras (Cambio Radical).

Segundo Humberto de la Calle, tanto Uribe como o candidato presidencial do partido uribista, Ivan Duque, "vêm construindo um tecido de falácias e de manifestações de ódio que foram conduzindo boa parte da população à nostalgia da guerra".

"Estão jogando fora a paz", enfatizou o candidato presidencial do Partido Liberal.

Ele se referiu igualmente ao artigo publicado no sábado (28) pelo jornal estadunidense The Wall Street Journal, em que se afirma que o dirigente do novo partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC), Ivan Márquez, está sendo investigado por supostos vínculos com o narcotráfico.

A esse respeito, considerou que é a justiça colombiana que deve investigar tais acusações porque "a paz na Colômbia não pode depender de uma corte estrangeira", enfatizou.

Explicou que quando foi divulgado o caso do dirigente da FARC Jesús Santrich por acusação também dos Estados Unidos, ele disse que se fosse culpado da acusação de narcotráfico devia enfrentar a possibilidade de extradição porque pensava que era um fato isolado.

"Mas diante desta nova versão (...), dados os interesses da segurança nacional, creio que é a justiça colombiana que deve examinar a fundo as provas", expressou.

Humberto de la Calle apontou que não importa se esta sua última declaração afeta sua campanha política porque seu interesse é que os colombianos tomem consciência do desastre que se avizinha e evitar cair novamente em uma confrontação tão sangrenta como a que a Colômbia viveu.

"Peço à Colômbia que mais sofreu que se mobilize e à Colômbia urbana indiferente que tome consciência do freio que a guerra implica para o futuro deste país como comunidade solidária", afirmou.

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