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Casa Branca forçou saída de chefe da inteligência dos EUA

Tulsi Gabbard publicou carta de demissão na rede X nesta sexta-feira

Chefe de espionagem dos EUA, Tulsi Gabbard 23/07/2025 REUTERS/Kent Nishimura (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)
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247 - A Casa Branca forçou a renúncia de Tulsi Gabbard do cargo de Diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, segundo uma pessoa familiarizada com o caso ouvida pela Reuters. A saída, anunciada nesta sexta-feira (22), atinge um dos postos mais sensíveis da estrutura de segurança nacional do governo Donald Trump.

Gabbard divulgou sua carta de demissão no Facebook, em meio a sinais de desgaste dentro da administração norte-americana. Publicamente, ela atribuiu a decisão a razões familiares, após o diagnóstico de câncer ósseo raro de seu marido, Abraham Williams.

No comando do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional, Gabbard era responsável por coordenar a comunidade de inteligência dos Estados Unidos e assessorar a Presidência em temas estratégicos. A função envolve a articulação de informações produzidas por diferentes órgãos de segurança, defesa e inteligência do país.

Ex-congressista no Havaí, Gabbard já enfrentava questionamentos desde sua indicação para o cargo. Veterana militar e ex-integrante do Partido Democrata, ela passou a se aproximar de Trump e tornou-se uma escolha considerada incomum para liderar a inteligência norte-americana, área tradicionalmente ocupada por nomes com trajetória mais longa no setor.

Falas de Gabbard geraram tensão em meio a ataques ao Irã

Um dos pontos de tensão durante sua gestão envolveu a avaliação sobre o programa nuclear iraniano. Em depoimento ao Comitê de Inteligência do Senado, em 18 de março, Gabbard afirmou que a comunidade de inteligência não via sinais de que o Irã tivesse retomado plenamente sua capacidade de enriquecimento de urânio após ataques dos Estados Unidos e de Israel no ano anterior. A avaliação contrastava com declarações mais duras de Trump sobre a ameaça representada por Teerã.

Na mesma audiência, Gabbard também afirmou que o governo iraniano “parece estar intacto, mas amplamente degradado” pelos ataques conduzidos pelos EUA e por Israel. A declaração a colocou no centro de um debate sobre a leitura oficial de Washington a respeito do Irã e sobre a condução da política externa norte-americana.

A renúncia abre uma vaga estratégica no governo Trump e deve levar o vice de Gabbard, Aaron Lukas, a assumir interinamente o posto. A saída oficial está prevista para 30 de junho.

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