Catalunha ameaça com desobediência civil ao Governo da Espanha

Catalunha disse que está confiante de que todas as suas autoridades, incluindo a polícia, desafiarão as tentativas de Madri de assumir o governo direto da região; governo espanhol invocou poderes constitucionais especiais para demitir o governo regional e forçar uma nova eleição para conter uma iniciativa de independência que vem abalando a economia; "Não é que recusaremos (as ordens). Não é uma decisão pessoal. É uma decisão de sete milhões de pessoas", disse o chefe de Relações Exteriores da Catalunha, Raul Romeva

Chefe de Relações Exteriores da Catalunha, Raul Romeva, durante coletiva de imprensa em Bruxelas, na Bélgica 18/10/2017 REUTERS/Francois Lenoir
Chefe de Relações Exteriores da Catalunha, Raul Romeva, durante coletiva de imprensa em Bruxelas, na Bélgica 18/10/2017 REUTERS/Francois Lenoir (Foto: Paulo Emílio)

Reuters - A Catalunha disse nesta segunda-feira que está confiante de que todas as suas autoridades, incluindo a polícia, desafiarão as tentativas de Madri de assumir o governo direto da região, uma disputa crescente que despertou temores de distúrbios nos aliados europeus da Espanha.

O governo espanhol invocou poderes constitucionais especiais para demitir o governo regional e forçar uma nova eleição para conter uma iniciativa de independência que vem abalando a economia. Uma votação sobre a implantação da administração direta deve ser realizada no Senado na sexta-feira.

Mas os líderes da campanha separatista disseram que o questionado referendo de 1o de outubro lhes deu um mandato para reivindicar independência do resto da Espanha.

"Não é que recusaremos (as ordens). Não é uma decisão pessoal. É uma decisão de sete milhões de pessoas", disse o chefe de Relações Exteriores da Catalunha, Raul Romeva, à rádio BBC.

Romeva foi indagado sobre se acredita que todas as instituições, inclusive a polícia, seguirão as ordens das instâncias de poder catalãs, e não de Madri.

"E desta perspectiva, não tenho dúvida de que todos os servidores civis da Catalunha continuarão seguindo as instruções fornecidas pelas instituições eleitas e legítimas que temos instauradas atualmente (na Catalunha)", disse.

As autoridades catalãs disseram que cerca de 90 por cento dos que participaram do referendo votaram pela separação – mas só 43 por cento do eleitorado, e 1 de 3 catalães, foram às urnas. A maioria dos opositores da secessão ficou em casa.

A crise da Catalunha deixou outros países europeus receosos de que o movimento se dissemine pelo restante do continente.

Da Escócia a Flandres e à Lombardia, a crise financeira de 2007-09, o desemprego e a imigração deram espaço para partidos anti-União Europeia e populistas nutrirem o descontentamento com as elites políticas e ressuscitarem divisões regionais.

A Lombardia e Vêneto, duas regiões ricas do norte da Itália, votaram majoritariamente a favor de uma autonomia maior em referendos realizados no domingo.

Em uma cúpula europeia da semana passada, líderes procuraram minimizar a crise espanhola com a Catalunha e descreveram a tentativa de separação como uma questão doméstica.

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