Chávez reeleito com 54% dos votos na Venezuela

É oficial: presidente foi reeleito com 7,4 milhões de votos, contra 6,1 milhões para seu adversário Henrique Capriles, que obteve 44% dos sufrágios e admitiu derrota: "Sua vitória é a vitória de todos os venezuelanos", disse ele referindo-se a Chávez; festa em Caracas; pesquisa de boca de urna divulgada com exclusividade por 247 foi confirmada

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Chávez reeleito com 54% dos votos na Venezuela (Foto: JORGE SILVA)


247 - Os partidários de Hugo Chavez começaram, às 23h40, hora do Brasil, a festa da vitória pelas ruas de Caracas. Minutos antes, a presidente do Conselho Eleitoral anunciou oficialmente a reeleição de Chavez com 54% (7, 4 milhões) dos votos válidos. Em segundo lugar ficou o candidato da oposição Henrique Capriles, com 44% (6,1 milhões) dos votos. "E não se vá, e não se vá, comandante não se vá", cantavam os correligionário de Chavez, que terá mais seis anos à frente do país.

Abaixo, notícia anterior:

247 – Parceira comercial estratégica do Brasil, sócia recente do Mercosul e dona das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela deve confirmar neste domingo a vitória de Hugo Chávez. 247 teve acesso exclusivo a dados de uma pesquisa de boca de urna, que mostram a vitória do atual presidente, com 54,8% dos votos. O opositor Henrique Capriles teria 43,8%. Com a possível vitória, Chávez poderá permanecer no poder até 2019, completando um ciclo de vinte anos no poder, iniciado em 1999. Leia, abaixo, o noticiário do Opera Mundi:

Foram ao todo 96 dias de campanha eleitoral. Neste domingo (07/10), resta ao povo venezuelano decidir nas urnas quem deverá ser o próximo presidente do país: o atual, Hugo Chávez, ou o candidato da oposição, Henrique Capriles. Se por um lado o líder venezuelano coloca à prova 14 anos de governo, cujo impacto maior foi a drástica redução da pobreza no país, o ex-governador de Miranda aposta em um desejo de "mudança", traduzido no slogan da campanha, denominada “Há um caminho”.

Leia especial do Opera Mundi sobre a Era Chávez

Quase 19 milhões de venezuelanos estão aptos a decidir quem dirigirá o destino do país para os próximos 6 anos, entre 10 de janeiro de 2013 e 9 de janeiro de 2019. Além de Chávez e Capriles,participam do pleito também os candidatos Orlando Chirinos, Reyna Sequera e Maria Bolívar.

Neste sábado (06/10), Chávez concedeu uma coletiva de imprensa no Palácio de Miraflores, onde disse que os resultados que serão divulgados pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) são a garantia de “paz e tranquilidade” e que o vitorioso dessas eleições é o “povo venezuelano”. Capriles, por sua vez, evitou afirmar com clareza que irá reconhecer os resultados, mas sim "a voz do povo". Ele não assinou documento do CNE (Conselho Nacional Eleitoral), que garantia o reconhecimento das eleições.

Leia mais sobre o processo de votação

A previsão é que o resultado seja divulgado ainda neste domingo, por volta das 22h (20h30 em Brasília). Em caso de suspeitas de fraudes e irregularidades, a Justiça Eleitoral faz advertências e promove auditorias. O vitorioso, segundo a legislação venezuelana, é aquele que obtiver a maioria dos votos. Não há segundo turno no país, nem é necessário alcançar mais de 50% da totalidade dos votos válidos.

Retrospecto

Nas últimas três eleições presidenciais, Chávez derrotou seus adversários com grande vantagem, a maior delas em 2006, quando o presidente conquistou 26 pontos a mais do que o opositor, Manuel Rosales. Em 1998 e 2000, as diferenças foram de 16 e 22 pontos, respectivamente.

As pesquisas divulgadas pela Datanalisis apontam 47,3%para Chávez e 37,2% para Capriles. A pesquisa Varianzas apresenta Chávez com 49,7% e Capriles com 47,7%. Já a pesquisa da Consultores 30.11 mostra Chávez  reeleito com 57,2% e Capriles conquistando 35,7% dos votos. A pesquisa Consultores 21 diz que Capriles terá 48,1%, superando Chávez, com 46,2%.

Chávez tem a seu favor as expressivas transformações, sociais e econômicas, levadas a cabo desde 1998 por meios das missões sociais. De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), a pobreza, que em 1999 atingia 47% da população, caiu em 2010 para 27,8%, e a pobreza extrema passou de 21,7% para 10,7%. O analfabetismo também caiu, de 9,1% para 4,9% em 2011, assim como a taxa de desemprego e a taxa de emprego informal.

Também foi na gestão chavista que a Venezuela ingressou no Mercosul como membro pleno, um resultado do investimento do presidente em mecanismos de integração regional, como a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e Alba (Aliança Bolivariana para as Américas).

Por sua vez, Capriles, de 40 anos, se lançou em um frenético percurso pelo país, em uma campanha de "porta em porta". O ex-governador de Miranda se apresenta como o "candidato do progresso", contra a "continuidade" representada por Chávez, assegura que está "confortável" quando colocado na centro-esquerda e aposta em um "modelo brasileiro" de governo, unindo uma economia de mercado com avanços sociais.

No começo da campanha, Capriles afirmou se inspirar no brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, mas parou de mencioná-lo após o ex-presidente declarar publicamente apoio a Chávez durante o Foro de São Paulo, em Caracas. A campanha de Capriles foi afetada pelo vazamento de um suposto “pacotão neoliberal” da MUD (Mesa de Unidade Democrática) e a debandada de políticos da coligação, que denunciaram mudanças no projeto inicial.

Voto

O CNE busca despertar a atenção e o interesse dos eleitores para ir às urnas. A presidenta do CNE, Tibisay Lucena, fez pronunciamento em cadeia nacional de emissoras de rádio e televisão para informar que as eleições venezuelanas farão do país  “uma referência internacional”. Ela acrescentou  que o momento é de “isolar e rejeitar os pequenos grupos” que querem se impor acima dos interesses da República, da paz e da democracia. No país, o Poder Eleitoral tem o mesmo status que outros poderes, como o Executivo, Judiciário  e Legislativo. O CNE é formado por cinco magistrados, o equivalente à Justiça Eleitoral no Brasil.

No Brasil, vivem aproximadamente 8 mil venezuelanos, a maior colônia está em São Paulo onde cerca de 500 pessoas votarão. O eleito hoje toma posse em 10 de janeiro de 2013 para um mandato de seis anos e inicia a gestão comandando o Mercosul, bloco que a Venezuela passou a integrar em julho.

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