Coletivo de políticos de esquerda critica ingerência da França na Venezuela

Um artigo escrito por um coletivo que reúne personalidades importantes da esquerda francesa, publicado no jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quinta-feira (7), denuncia um "alinhamento cego" do presidente francês, Emmanuel Macron, com os Estados Unidos em relação às discussões da crise venezuelana. O grupo de políticos pede uma "solução pacífica"

Coletivo de políticos de esquerda critica ingerência da França na Venezuela
Coletivo de políticos de esquerda critica ingerência da França na Venezuela (Foto: Miraflores Palace/Handout via REUTERS)

Da RFI - Um artigo escrito por um coletivo que reúne personalidades importantes da esquerda francesa, publicado no jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quinta-feira (7), denuncia um "alinhamento cego" do presidente francês, Emmanuel Macron, com os Estados Unidos em relação às discussões da crise venezuelana. O grupo de políticos pede uma "solução pacífica".

O coletivo que escreveu o artigo conta com nomes de peso da política francesa, como Eric Coquerel, da esquerda radical, ou Jean-Luc Mélenchon, presidente do partido A França Insubmissa. "O momento é grave na Venezuela. O país atravessa a crise econômica, social, política e democrática mais dramática de sua história. Existe agora a ameaça de uma deflagração cujas consequências seriam incalculáveis e desestabilizadoras para a América Latina, região que, até agora, escapou da guerra", escrevem os autores.

O coletivo critica o fato de que o presidente francês seguiu os passos do chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, e fez declarações apoiando Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. "É preciso levar à sério as declarações de Washington. (...) Temos hoje todos os ingredientes para uma escalada que, se não for interrompida rapidamente, conduzirá ao pior: à violência, à guerra civil ou à guerra mundial."

De acordo com o artigo do Le Monde, a questão já não é mais apoiar Nicolás Maduro, presidente eleito pelo sufrágio, ou Juan Guaidó, interim autoproclamado, mas interromper as tentativas de ingerência internacional. "Na Venezuela, como em outros países, o resultado dessa atitude é conhecido. Crises dessa magnitude não são resolvidas pela força ou pelo intervencionismo direto ou indireto."

Segundo os signatários do texto, a decisão de reconhecer Guaidó, tomada por diversos países europeus, latino-americanos e norte-americanos, dificulta a situação ao produzir um sistema de dupla legitimidade política, algo insustentável. "Ao adotar essa medida, a França se submete a um processo perigoso que ameaça a integridade e a soberania da Venezuela, assim como a estabilidade da América do Sul", afirma o coletivo.

Os políticos da esquerda francesa afirmam que, a partir de agora, o papel de mediador da França já foi afetado por seu apoio a Guaidó. "Nós pedimos a nosso governo que mude sua decisão e apoie todas as posições que se expressarão a favor de uma solução política, pacífica e que respeite as regras da ONU", concluem os autores do artigo.

Diplomacia do McDonald's e da Coca-Cola

O Le Monde publicou mais dois textos sobre a situação na Venezuela. O primeiro, escrito pela ex-ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, também é crítico quanto ao alinhamento com o governo de Trump, "mais intervencionista que nunca". "É o triunfo da diplomacia do McDonald's e da Coca-Cola. Acabou a sutileza e a delicadeza. É o retorno da retórica do bem contra o mal", denuncia Taubira.

Já o cientista político Renée Fregosi analisa as várias maneiras de escapar de uma ditadura. Para ele, no caso da Venezuela, será preciso convencer Cuba a negociar. "Desde a morte de [Hugo] Chávez em 2013 e a chegada de Nicolás Maduro, formado em Cuba, a doutrina castrista controla o destino venezuelano. A negociação deverá incluir duas compensações: garantias para o chavismo, se ele consentir o retorno à democracia, e uma ajuda financeira à Cuba, para que ela deixe a Venezuela escolher seu caminho", analisa o especialista.

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