Com dispositivo russo, orbitador detecta em Marte substância química comum a Terra e Vênus

Foi encontrado em Marte o cloreto de hidrogênio. A substância teria aparecido durante uma tempestade global de poeira e desapareceu gradualmente após seu fim

Planeta Marte
Planeta Marte (Foto: Reuters)
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Agência Sputnik - O orbitador da missão ExoMars 2016, um projeto conjunto da Roscosmos e Agência Espacial Europeia, encontrou em Marte cloreto de hidrogênio, surgido através de um processo ainda desconhecido.

Instrumento russo a bordo do orbitador da missão ExoMars 2016 foi o primeiro a detectar cloreto de hidrogênio (HCI) na atmosfera de Marte por medições diretas, comunicou Roscosmos, agência espacial da Rússia.

"O cloreto de hidrogênio [HCI] foi detectado pela primeira vez na atmosfera de Marte por medições diretas. A descoberta foi feita pelo espectrômetro russo Atmospheric Chemistry Suite [ACS] da nave espacial Trace Gas Orbiter [TGO] do projeto russo-europeu ExoMars 2016", informa a Roscosmos.

A substância teria aparecido durante uma tempestade global de poeira e desapareceu gradualmente após seu fim.

"O fato de que o cloro foi registrado durante uma tempestade de poeira sugere a existência de uma interação entre a superfície e a atmosfera, algo que não foi considerado antes. É possível encontrar seus análogos na Terra, [pois já] foi encontrada alguma confirmação indireta em experimentos de laboratório", afirma Oleg Korablev, diretor adjunto do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia de Ciências da Rússia e autor principal do estudo.

Até agora, sabia-se da existência do HCI na Terra e em Vênus. Na Terra, o gás entra no ar a partir do mar, quando partículas de sal marinho se transformam em aerossóis. Em Vênus, ele se decompõe na atmosfera sob ação da luz solar e é um fator importante na estabilidade da atmosfera composta de dióxido de carbono.

"Esta é a primeira detecção de gás halogênio na atmosfera de Marte e representa um ciclo químico novo que teremos de entender", observou o professor Kevin Olsen, da Universidade de Oxford, Reino Unido, sobre o estudo publicado na revista Science Advances.

Segundo as duas principais hipóteses sobre o aparecimento do cloreto de hidrogênio, sua origem pode estar nas partículas de poeira levantadas da superfície ou durante erupções vulcânicas na Terra. No entanto, neste caso o aumento da concentração do HCI deveria corresponder a eventos sísmicos em Marte, algo que os cientistas ainda não registraram.

"Além disso, o fato de coincidir com o início e o fim de tempestades de poeira leva à suposição de que a fonte de cloro se encontra mesmo na superfície", sublinha a Roscosmos.

Ainda não se conhece o mecanismo de transformação do cloro de um componente de minerais marcianos em cloreto de hidrogênio, bem como se o HCI desaparece ou não após uma tempestade de poeira.

O TGO é uma sonda parte do projeto ExoMars, uma colaboração da Roscosmos e da Agência Espacial Europeia com o objetivo de estudar Marte. Um de seus principais objetivos é procurar gases que possam indicar atividade vulcânica e possivelmente biológica em Marte. O aparelho ACS trabalha em conjunto com o complexo espectrométrico belga NOMAD.

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