Com parabéns de Trump e pedido de ajuda de Manaus, Portugal começa plano de desconfinamento

Esta segunda-feira (4) marca o primeiro dia de desconfinamento em Portugal, depois de um mês e meio com estado de emergência em vigor por causa da pandemia

Portugal
Portugal (Foto: Reuters)
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Sputnik - Esta segunda-feira (4) marca o primeiro dia de desconfinamento em Portugal, depois de um mês e meio com estado de emergência em vigor por causa da pandemia. O país, que virou destaque internacional pelas medidas de combate ao novo coronavírus, tem pela frente previsões de recessão e desemprego que preocupam a população.

A pequena lavanderia da brasileira Gabriela Albuquerque, que fica na Amadora, cidade vizinha a Lisboa, fechou as portas no dia 18 de março, quando foi decretado o primeiro período do estado de emergência em Portugal.

"Ainda que as lavanderias não estivessem na lista dos estabelecimentos que deveriam fechar, decidimos encerrar. Primeiro pela questão da segurança, segundo porque as pessoas não tinham interesse nos serviços. Não existia vantagem econômica nenhuma", diz a microempresária à Sputnik Brasil.

Depois de quase 50 dias, Gabriela diz ainda não ter contabilizado os prejuízos, mas já estima valores altos. "Em maio, não sei se vai dar para pagar as contas", diz. Focada no atendimento a clientes de grandes quantidades, como restaurantes e hotéis, a lavanderia vai funcionar em turno reduzido e com menos funcionários. "Estamos chegando na melhor época, que é o verão, mas com essa baixa nos restaurantes e aluguéis por temporada e espaços de eventos, não sei. Antes eram três funcionários diretos, mas vão ficar dois e em tempo reduzido pelo menos agora no início. Estamos readequando pra contribuir com o recolhimento domiciliário e porque temos que economizar o máximo possível".

Baque econômico

Portugal, que terminou 2019 com um saldo positivo de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB), lida com as projeções de queda pela frente. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a pandemia vai diminuir em 8% o PIB do país em 2020, com índice de desemprego de 13,9%. As previsões são ainda mais negativas do que as apresentadas pelo Banco de Portugal no mês de março, que projeta descida de 3,7% no PIB e desemprego acima de 10%.

O impacto econômico em Portugal é considerado "muito forte e imediato", analisa Paulo Miguel Madeira, geógrafo da Universidade de Lisboa que pesquisa as áreas da geografia social e econômica. "Grande parte do tecido económico é de pequenas empresas, médias, às vezes microempresas unipessoais, com muita pouca capacidade de tesouraria para fazer face às despesas imediatas quando deixaram de ter receita", diz o pesquisador à Sputnik Brasil.

O governo lançou um conjunto de medidas extraordinárias para apoio à economia, não apenas com incentivos financeiros, mas facilitando diversos procedimentos burocráticos para cumprimento de obrigações fiscais de empresas e trabalhadores. Um dos regimes de mais impacto, o sistema de lay-off, permite que empresas que aleguem dificuldade reduzam ou suspendam contratos de trabalho, garantindo que a maior parte do salário de um empregado seja paga pelo governo.

Para o pesquisador Paulo Miguel Madeira, os dados relativos ao lay-off refletem a dificuldade econômica atual. "O governo decidiu ter um regime simplificado para os lay-offs. Logo na primeira semana, havia meio milhão de trabalhadores para os quais foi pedido esse regime. No dia 15 de abril, a ministra do trabalho anunciou que já estavam abrangidos mais de 900 mil trabalhadores por este regime. Além disso, 145 mil trabalhadores autônomos também pediram apoio. Já temos um universo de mais de um milhão de trabalhadores que já precisaram de apoios imediatos e é de pensar com elevada probabilidade que grande parte desses vai perder a fonte de rendimento agora a curto e médio prazo".

Plano de desconfinamento

A expectativa do governo é de que a economia, e as rotinas em geral no país, possam ir voltando ao normal aos poucos. No último sábado (2), o primeiro-ministro, António Costa, declarou que a "reabertura da atividade econômica é um risco necessário".

Depois de muitas discussões junto com as autoridades de saúde, Portugal estabeleceu um plano faseado para o desconfinamento. Nesta segunda (4), voltaram a funcionar os pequenos comércios de bairro. No próximo dia 18, vão ser liberadas lojas maiores e restaurantes e aulas presenciais para alunos do ensino médio. No fim de maio, passam a ser permitidas cerimônias religiosas e partidas de futebol e no começo de junho vão reabrir as grandes lojas, shoppings, cinemas.

Para qualquer situação, estão mantidas as recomendações de higiene. Uso de máscara passa a ser obrigatório no transporte coletivo, que opera levando número reduzido de passageiros. Continuam proibidas aglomerações de mais de 10 pessoas e segue a recomendação de "dever cívico domiciliário" para toda a população.

De acordo com o último boletim, Portugal tem 1.063 mortes causadas pela COVID-19 e 25.524 casos confirmados da doença. Os números bem diferentes de outros países europeus, como Espanha, França e Itália, chamam a atenção internacional.

No último sábado (2), o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, confirmou à emissora portuguesa TVI que pediu ajuda ao primeiro-ministro. "Conheço pessoalmente o primeiro-ministro António Costa, a quem dirigi um vídeo pedindo ajuda. Ajuda que tem faltado do governo federal brasileiro. Que ela seja distribuída pela consciência de diversos chefes de Estado que têm interesse em preservar a grande floresta e têm respeito pelo sofrimento do amazonense e dos brasileiros", disse o prefeito em entrevista à TVI.

Um dia antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou para o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. De acordo com a nota divulgada pelo gabinete do português, "o presidente americano elogiou o desempenho português neste surto pandêmico e ofereceu toda ajuda que fosse considerada útil e necessária, o que o presidente português agradeceu. Os dois presidentes desejaram os maiores êxitos dos dois povos amigos na ultrapassagem da presente situação", lê-se na nota.

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