Como a Coreia do Norte contorna as sanções da ONU

A administração de Pyongyang consegue manter seu programa militar e nuclear mesmo com as pesadas sanções da ONU; uma investigação das Nações Unidas e dos Estados Unidos, obtida pelo jornal South China Morning Post, encontrou oito maneiras utilizadas pela Coreia do Norte para contornar as sanções, que incluem desde a falsificação de documentos de embarcações norte-coreanas até a exploração de mão-de-obra de cidadãos do país no exterior

Kim Jong Un
Kim Jong Un (Foto: Giuliana Miranda)
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Da Sputnik Brasil

Apesar da crescente pressão econômica que as sanções determinadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) aplicam na Coreia do Norte, nada parece deter os testes de mísseis do país asiático.

Como, então, Pyongyang consegue manter seu programa militar e nuclear? Uma investigação da ONU e dos Estados Unidos, obtida pelo jornal South China Morning Post, encontrou oito maneiras utilizadas pela Coreia do Norte para contornar as sanções:

Escambo

A Coreia do Norte troca diretamente seu carvão e outros minerais pelos bens que precisa, como componentes de armas e até itens de luxo. Isso evita o risco de rastreamento de transferências.
Contrabando

Navios desligam seus sistemas de rastreamento para visitar portos norte-coreanos. Outra tática utilizada é deixar a embarcação principal ancorada em algum porto próximo e utilizar um navio menor para buscar itens na Coreia do Norte.

Falsificação

De acordo com a ONU, oito navios do país de Kim Jong-un têm uma documentação falsa que impede inspeções de agências internacionais. Outro truque consiste em mudar o nome das embarcações para evitar o reconhecimento.

Exploração de mão de obra no exterior

Cerca de 100 mil norte-coreanos trabalham fora de seu país natal e geram uma receita estimada de US$ 500 milhões para Pyongyang, de acordo com o governo dos Estados Unidos.

Trabalhadores da Coreia do Norte também são utilizados como terceirizados por outras companhias.

Modificando os equipamentos que consegue adquirir

A ONU conseguiu rastrear caminhões exportados da China e utilizados em desfiles militares em Pyongyang e descobriu que eles foram comprados como veículos civis — o que não é barrado pelas sanções — e depois adaptados para fins militares.
Empresas de fachada

Companhias de fachada em Singapura, Malásia e Hong Kong foram utilizadas para receber recursos destinados para a Glocom, empresa norte-coreana especializada em equipamentos militares. Para dificultar a identificação de irregularidades, os pagamentos eram feitos de forma fracionada, informou a ONU.

Cobertura diplomática

Os diplomatas da Pyongyang abrem diversas contas bancárias no exterior. Segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, Kim Chol-sam abriu oito contas na China e em Hong Kong com a ajuda de empresas de fachada e movimentou milhões de dólares.

Vendas de armas

Apesar do embargo determinado pela ONU, a Coreia do Norte segue vendendo armas e treinamento militar. A investigação descobriu compradores nos seguintes países: Angola, República Democrática do Congo, Eritreia, Moçambique, Namíbia, Síria, Uganda e Tanzânia

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