"Construção de um estado de bem-estar nos países centrais reforça o imperialismo na periferia", diz Altman

O jornalista analisou o processo de desenvolvimento histórico do capitalismo e descreveu a expansão imperialista para a América Latina. Para ele, a atuação das grandes empresas nas periferias globais se deu após a implementação de um estado de bem-estar social e a consequente redução dos lucros nos países centrais. Assista

Breno Altman
Breno Altman (Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247)
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247 - O jornalista Breno Altman, em entrevista à TV 247, explicou o processo de desenvolvimento histórico do sistema capitalista. No passado, avalia, o surgimento do estado de bem-estar social foi uma exigência do próprio capitalismo, que estava sob forte pressão externa:

“O neoliberalismo é uma interrupção de uma etapa anterior do capitalismo, é uma nova etapa de financeirização do capital na qual a lógica da acumulação capitalista deixou de ser a expansão dos mercados, e passou a ser a redução dos custos de produção. No período em que a lógica foi a expansão dos mercados, o capitalismo aceitou, até porque estava pressionado pela existência da União Soviética, pela correlação de forças depois da Segunda Guerra Mundial e pelo movimento operário dos países centrais, construir o chamado estado de bem-estar social para aplacar as possibilidades revolucionárias que estavam postas no mundo, para amenizar a luta de classes nos países capitalistas centrais e para ampliar os mercados internos destes países. Então, os salários aumentaram, os direitos aumentaram…”

Altman aponta que o custo do estado de bem-estar social, que acarretou na redução dos lucros gerais, foi compensado de outras formas, como através da expansão dos mercados das grandes empresas para países periféricos. “Agora, esse período de construção do estado de bem-estar social nos países capitalistas centrais teve como compensação a expansão e a consolidação do imperialismo na periferia do sistema, porque as grandes corporações que perdiam taxa de lucro em função do aumento dos salários e dos direitos nos seus países, que significou também aumento dos tributos que tinham que pagar. Essas grandes corporações foram encontrar compensação na periferia do sistema, onde nós estamos, na América Latina, na Ásia, na África. Elas foram em busca da superexploração do trabalho e de matérias-primas para compensar na periferia a taxa de lucro que havia sido perdida nos países capitalistas centrais”, afirmou.

O jornalista alerta que, caso as grandes empresas sejam atingidas, o processo deve se repetir: “Então, vejam como é curioso. Estado de bem-estar social na Europa dos anos 1940 a 1980 e intensificação do imperialismo na periferia do sistema. A julgar pela história, brasileiros de esquerda que comentam assim favoravelmente às medidas do Biden, ainda que eles tivessem razão e que o plano Biden tivesse algo a ver, em termos comparativos, com o que o Roosevelt [Franklin D.] fez na economia americana, ainda que isso fosse verdadeiro, e não o é, deviam colocar as barbas de molho. Aqueles que barba tem, e os que não tem também. A construção do estado de bem-estar social nos países capitalistas centrais tem tudo a ver com a sua política internacional imperialista. As grandes corporações dos países capitalistas centrais, se forem atingidas, e não o foram, vão compensar na periferia do sistema pela perda da taxa de lucro”.

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