Coronavírus: Boatos difundem pânico e mentiras sobre a China

Vídeos e áudios falando em milhões de casos, falência da China e difundindo falsas curas para o coronavírus se espalham nas redes sociais

(Foto: CNN)
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RBA - Com o aumento das notícias sobre a epidemia causada pelo novo coronavírus, cresce também a difusão de mentiras, boatos e mesmo o uso político da situação por determinados grupos. Postagens dizendo que o governo chinês perdeu o controle sobre a situação e que existem soluções mágicas para curar uma infecção pelo vírus estão entre os mais difundidos. Por outro lado, a imprensa comercial também colabora com esse cenário caótico divulgando textos absolutamente especulativos, que auxiliam os criadores de boatos a dar um aspecto de realidade a suas postagens.

Um exemplo é a reportagem divulgada pelo site da Exame, publicação da Editora Abril, com o titulo “Em simulação, coronavírus matou 65 milhões de pessoas”. A simulação foi feita em outubro por especialistas em saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos e nada tinha a ver com a atual epidemia. Era uma projeção com um vírus fictício, que teria origem em porcos, no Brasil. Mas a publicação aproveitou a situação para ganhar cliques. Sem se importar em difundir pânico.

Já o site Terça Livre, cujo proprietário, Allan dos Santos, foi intimado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a depor sobre difusão de fake news, deu espaço para um vídeo de um suposto médico chinês morador do Brasil, dizendo que a China teria perdido o controle sobre epidemia. Sem apresentar nenhuma prova, apenas dizendo ter conversado com a própria irmã, o youtuber Peter Liu diz que há milhões de infectados em todas as cidades chinesas e que o país faliu. Com isso, Liu aproveita para dizer que a economia chinesa vai afundar.

Outros boatos dizem que o novo coronavírus já infectou 3 milhões de pessoas e matou 112 mil, apenas na China. Na mesma linha, outro boato diz que já há 10 mil casos no Brasil e 28 milhões no mundo e que os governos estão escondendo as informações. E ainda que tomar de chá de erva doce duas vezes seria o tratamento ideal contra o novo coronavírus.

As informações são todas falsas. O surto se concentra na cidade de Wuhan, embora haja casos pontuais em outras cidades, segundo controle da Organização Mundial da Saúde (OMS). Já foram registrados cerca de 6 mil casos, com 132 mortes. A Comissão Nacional de Saúde da China estima que o pico das transmissões deve ocorrer em até 10 dias. Não há mortes em outros países.

Atenção, mas sem desespero

O infectologista e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo Gerson Salvador avaliou que a situação é preocupante, mas não há motivo para desespero. “(O novo coronavírus) É preocupante, com certeza. As autoridades internacionais têm de prestar atenção, desenvolver ações de vigilância, mas não é tempo de se desesperar”, disse. Salvador lembrou que outros coronavírus já tiveram proliferações importantes como agora, com grande mobilização mundial, mas não resultaram em uma grave crise global de saúde.

Em 2002, a Sars – gripe aviária – se disseminou a partir da China, teve pouco mais de 8 mil casos confirmados e causou 774 mortes ao redor do mundo. Já em 2012, a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que surgiu a partir da Arábia Saudita, causou 858 mortes. “Oitocentas pessoas é o que a gripe comum mata em um dia de inverno”, ressaltou, sem ignorar que ainda é cedo para dizer como a epidemia vai se comportar.

O médico destacou que as principais medidas de prevenção são manter a higiene, lavar as mãos, evitar colocar a mão na boca, nos olhos, coçar o nariz, como no caso da gripe comum. E que as pessoas que apresentam maior risco são os grupos que também devem se prevenir de gripes e resfriados, como idosos, gestantes, pessoas transplantadas ou com câncer.

Ontem (28), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmou a investigação de um caso suspeito em Minas Gerais. “Já analisamos mais de sete mil rumores. Destes, 163 casos exigiram a análise padrão e foram descartados. E temos hoje esse caso de Minas, de uma mulher que esteve na cidade de Wuhan até o dia 24 de janeiro. O quadro dela é bom, estável, está em isolamento. Além dela, há 14 pessoas do núcleo de convivência próximo dela em monitoramento, que é feito por telefone, Whatsapp, visitas. Qualquer mudança de temperatura, coriza, será observada”, explicou.

Segundo Mandetta, em concordância com a avaliação do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, o Brasil tem total capacidade de identificar o vírus e está preparado. “O tratamento segue o protocolo para Sars. Nosso sistema já lidou com Sars, Mars, não é um sistema de saúde que está sendo adequado agora. Todas as equipes de estados e municípios já têm conhecimento dos protocolos. Vamos chamar uma reunião com os secretários de estados e municípios apenas para tirar dúvidas e levantar necessidades deles para fazer o enfrentamento de eventuais casos”, explicou.

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