Covid-19: Portugal bate recorde de mortes e teme saturação nos hospitais

País tem, apenas em janeiro, 44% das mortes por Covid-19 registradas durante a pandemia

Pandemia de Covid em Portugal
Pandemia de Covid em Portugal (Foto: Duarte Sa/Reuters)
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Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa

Portugal vive um agravamento sem precedentes da crise sanitária. Há uma avalanche de novos casos, recordes diários do número de mortes por Covid-19 e hospitais que não conseguem atender a todas as demandas. O país fechou janeiro com 5.576 óbitos, um número que representa quase a metade (44,6%) do total de mortes causadas pelo novo coronavírus desde março, quando a pandemia teve início no país. 

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado neste domingo (31) pela Direção-Geral da Saúde, mais de 303 pessoas morreram nas últimas 24 horas. Proporcionalmente, é como se o Brasil registrasse pouco mais de 6 mil mortes por Covid-19 num só dia.

Com a atualização dos dados, o número total de óbitos subiu para 12.482. Há mais de 9.498 novos casos. Mais 150 pessoas infectadas foram internadas elevando para 6.694 o número absoluto de hospitalizações. Nas unidades de terapia intensiva (UTIs) estão internados 858 doentes.

“Estamos numa situação de pré-catástrofe”, disse João Gouveia, responsável pela Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a Covid-19, durante uma entrevista nesse sábado (30) à RTP, a Rádio e Televisão pública portuguesa.

Em janeiro, havia 649 camas para os doentes Covid na UTIs dos hospitais públicos portugueses. Devido ao aumento do número de casos graves, o Sistema Nacional de Saúde (SNS) duplicou a capacidade.

“Se continuarmos a ter esse número de casos todos os dias, não vai ser suficiente. Podemos tentar tratar os doentes mais graves, e evitar mortes, mas se forem muitos, nós não conseguimos agir”, alertou.

O cenário é tão crítico que, na última sexta-feira (29), três doentes que estavam internados nas Unidades de Terapia Intensiva de hospitais de Lisboa foram transferidos para o Funchal. O propósito foi aliviar a sobrecarga dos cuidados intensivos na capital do país, depois que o Governo da Ilha da Madeira manifestou disponibilidade para receber doentes infectados do continente.

Tentativas de aumentar a capacidade de resposta

Diante da pressão, os hospitais têm tentado alargar a capacidade de resposta da medicina intensiva até onde é possível. O objetivo é ocupar blocos operatórios, salas de recuperação, enfermarias, e, ao mesmo tempo, aproveitar a ajuda de cirurgiões, anestesistas, enfermeiros que tiveram suas atividades temporariamente suspensas, como o adiamento das cirurgias programadas, por exemplo.

Para reforçar o total de profissionais nos hospitais, o governo português anunciou a possibilidade de o SNS contratar, em regime de urgência, médicos e enfermeiros formados no exterior, desde que atendam a determinados critérios exigidos no país. Já há cerca de 160 médicos que reúnem condições para o ingresso no sistema público de saúde.

Ajuda de estados-membros

Dois países da União Europeia ofereceram-se para ajudar Portugal. Dos poucos detalhes anunciados sobre a cooperação, sabe-se que a Alemanha vai enviar profissionais de saúde e equipamentos médicos. Já o governo austríaco avisou que poderá receber doentes graves com Covid-19 nas suas unidades de terapia intensiva.

O Instituto Ricardo Jorge, que é um braço laboratorial do sistema nacional de saúde português, calcula que, em duas semanas a variante do Reino Unido vai ser responsável por 65% dos casos de Covid-19 no país. A variante brasileira ainda não foi detectada em Portugal, mas está sendo investigado um caso suspeito da nova cepa da África do Sul.

Vacinação

Devido aos problemas da distribuição de vacinas na União Europeia, em Portugal, o ritmo da vacinação, que começou no dia 27 de dezembro, tem sido lento. Somente 74 mil pessoas tomaram as duas doses da vacina contra o novo coronavírus. Entre eles, profissionais de saúde e idosos que residem em casas de repouso medicalizadas, inclusive os que moram em lares ilegais. Responsável pelo plano nacional da Covid-19, Francisco Ramos estima vacinar metade da população portuguesa até o verão. O país tem uma população de 10 milhões de pessoas.

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