Cuba refuta 'estudo' sobre 'ataques' a diplomatas dos EUA em Havana

O governo de Cuba desqualificou nesta terça-feira (23) por falta de "conclusões científicas claras" o estudo mais recente sobre os supostos "ataques" que afetaram diplomatas dos Estados Unidos em Havana

Johana Tablada
Johana Tablada (Foto: Prensa Latina)

AFP - O governo de Cuba desqualificou nesta terça-feira (23) por falta de "conclusões científicas claras" o estudo mais recente sobre os supostos "ataques" que afetaram diplomatas dos Estados Unidos em Havana, e pediu a Washington que parasse de usar essa questão como pretexto para impor novas sanções.  

O estudo, publicado no Journal of the American Medical Association (Jama) e dirigido por professores da Universidade da Pensilvânia, "não permite chegar a conclusões científicas claras", disse à imprensa o diretor da estatal Centro de Neurociências de Cuba, Mitchell Valdés-Sosa.  "Isso não prova, ao contrário do que foi especulado, e o que é afirmado no artigo anterior (do Jama, publicado em março de 2018), que danos cerebrais ocorreram em um grupo de diplomatas durante a sua estadia em Cuba", acrescentou Valdés-Sosa.  

Já a vice-diretora para a seção Estados Unidos da chancelaria cubana, Johana Tablada, ressaltou que até hoje "não há evidência de qualquer tipo de ataque" contra diplomatas americanos e pediu a Washington para deixar de usar esse termo de forma "irresponsável".  

Também pediu à Casa Branca que "pusesse fim à manipulação e uso desta questão como um pretexto para impor mais e mais novas medidas de agressão contra seu país".  Entre o fim de 2016 e maio de 2018, diplomatas enviados por Washington a Havana e seus familiares sofreram vários males, como falta de equilíbrio e coordenação, tontura, assim como ansiedade, irritabilidade e o que as vítimas chamaram de "névoa cognitiva".  

Esses problemas, denunciados por Washington como resultado de "ataques" com algum tipo de arma acústica, levaram a um ponto crítico as relações diplomáticas que ambos os países restauraram em 2015, após meio século de ruptura, com novas sanções do governo de Donald Trump contra a ilha.  

Segundo o estudo, os cérebros de cerca de 40 diplomatas americanos vítimas de fenômenos misteriosos em Cuba mostram diferenças em relação aos de um grupo de controle.  

Os pesquisadores compararam os resultados com os de 48 pessoas de dois grupos de controle. As diferenças encontradas são estatisticamente significativas na substância branca do cérebro, assim como no cerebelo, responsável por controlar os movimentos.  

Valdés-Sosa ressaltou que "os próprios autores reconhecem que o estudo é inconclusivo e não tem explicação para suas descobertas", e que "as mudanças descritas são pequenas, muito diversas, heterogêneas, difusas e não correspondem a um quadro coerente".  "Não há relação discernível entre as alterações descritas na neuroimagem e os sintomas dos diplomatas", acrescentou o cientista cubano..

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