Cúpula do BRICS no Brasil atesta relevância atual do bloco

Começa nesta quarta-feira (13) em Brasiíia a 11ª Reunião de Cúpula do Brics, o bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Crescimento econômico para um futuro inovador é a temática daCúpula que se realizará no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.

(Foto: Gil-Design/Thinkstock)
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Por Janaína Camara da Silveira na Xinhua - Para especialistas brasileiros sobre o BRICS, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco mostra sua importância e resiliência em um momento em que o mundo discute questões que giram ora em torno do multilateralismo, ora em torno do protecionismo.

Nesta semana, nos dias 13 e 14 de novembro, a capital brasileira, Brasília, será sede da 11ª Cúpula dos BRICS, ocasião em que os presidentes de todos os países do bloco estarão presentes.

Para o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro e da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde coordena o Núcleo de Estudos dos Países BRICS, Evandro Menezes de Carvalho, e para o professor adjunto de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, e autor do livro BRICS e o Futuro da Ordem Global, Oliver Stuenkel, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) é uma instituição que atesta o trabalho prático e conjunto dos países membros.

"O grupo BRICS tomou uma dimensão institucional de relações entre países do Sul Global. Não só oferece uma plataforma para institucionalizar tais relações, como estabelece laços entre governos onde não havia interlocução", afirma Stuenkel.

Para o professor, os BRICS permitiram que não apenas presidentes ou chanceleres, mas também ministros da economia, educação e outros, pudessem dialogar regularmente sobre desafios internos e sobre como fortalecer laços.

"O grande avanço certamente é o NBD, mas o fato de o grupo se manter coeso mesmo com mudanças de governo, como na Índia e no Brasil, mostra quão forte ele é. Se transformou em consenso no Brasil."

Para Carvalho, a continuidade do BRICS e o seu ingresso na segunda década de existência indicam a relevância do mecanismo para os cinco países, mesmo diante de obstáculos, sejam estes internos ou derivados da atual conjuntura internacional de crise econômica e diplomática.

"O ceticismo que os países ocidentais tinham em relação ao BRICS dá lugar a uma dúvida, com certa contrariedade, de que o BRICS veio, de fato, para ficar. A criação do NDB e seus desdobramentos com a criação dos Centros Regionais da África e para as Américas evidenciam que a plataforma informal do BRICS foi capaz de criar uma organização internacional e, no caso, um banco. Então estes dois fatos, a continuidade e o NDB, mostram que o BRICS pode ser um vetor importante de transformação da ordem internacional de modo a admitir maior participação de países não-ocidentais, esclarece Carvalho.

Em relação à Cúpula deste ano, o comércio intra-BRICS deve ser destaque, como acredita Carvalho, que lembra que o setor tem peso significativo.

"É preciso estimular que os outros países ampliem as relações comerciais entre eles. Além disso, o intercâmbio entre pessoas segue a mesma tendência e precisa ter um estímulo para que haja maior interação entre os países do BRICS. Por fim, no campo da mídia ainda há muito por fazer. A cooperação neste setor é fundamental para que novas visões de mundo possam emergir a partir das notícias sobre as sociedades dos países BRICS", indica Carvalho.

Relação sino-brasileira

"A relação sino-brasileira hoje vive o seu melhor momento. A relação bilateral comercial é excelente, e a participação chinesa no leilão do Pré-sal é um ótimo sinal, mostrando que a China tem um compromisso de longo prazo com o Brasil", avalia Stuenkel.

O especialista se referiu à presença de duas empresas chinesas em leilão realizado na semana passada para campos de exploração de petróleo em área brasileira. Ambas participaram de grupo conjunto com a estatal Petrobras.

"O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem inclusive deixado claro que não pretende excluir a Huawei do processo de leilão para o 5G no Brasil, previsto para o ano que vem", completa o especialista.

Carvalho também avalia como positivo o momento atual, mencionando a recente visita do presidente brasileiro a Beijing, em outubro deste ano.

"A visita de Bolsonaro à China teve o aspecto positivo de manter abertas as pontes de comércio com a China e de investimentos chineses no Brasil", disse o professor.

Segundo Carvalho, é importante destacar que os governadores dos estados da federação estão buscando incrementar o diálogo com a China por razões econômicas, para atração de investimentos a projetos de infraestrutura de que necessitam. Além disso, acredita, a diplomacia civil representada pelos empresários e empresárias, professores, professoras e estudantes tem tido um papel fundamental na defesa do aprofundamento da relação bilateral.

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