Dez ações desestabilizadoras contra o governo venezuelano

O jornal cubano Granma descreve dez ações desestabilizadoras que se tornaram públicas, nas últimas 48 horas, contra o governo legítimo de Nicolás Maduro

Manifestantes em protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, Venezuela. 11/04/2017 REUTERS/Christian Veron
Manifestantes em protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, Venezuela. 11/04/2017 REUTERS/Christian Veron (Foto: Reinaldo)

247, com Granma - Enquanto milhares de pessoas foram até as proximidades do Palácio de Miraflores para celebrar a reeleição do presidente Nicolás Maduro, a oposição, os Estados Unidos, a União Europeia e a direita latino-americana apresentaram um plano de desestabilização – já há muito previsto – contra o novo processo democrático que aconteceu no domingo (20) na Venezuela.

O povo venezuelano, vítima de uma das mais ferozes guerras econômicas dos últimos tempos, só comparável ao bloqueio imposto a Cuba pelos EUA, há mais de 50 anos, reelegeu Nicolás Maduro como o seu presidente legítimo, com mais de seis milhões de votos.

Enquanto isso, os "protetores da democracia" na região e no mundo reativaram sua agenda hostil contra a nação de Bolívar e ignoraram a mensagem clara de cidadania nas urnas.

Caracas, acostumada a este tipo de ação desde que empreendeu, em 1998, um caminho diferente daquele ditado por Washington, amanheceu novamente sob o cerco de uma maré de ingerência.

Granma descreve dez das ações desestabilizadoras que se tornaram públicas nas últimas 48 horas.

1 - Novas Sanções dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (20) novas sanções unilaterais contra a Venezuela, violando os princípios da Carta das Nações Unidas e as normas do direito internacional.

Por ordem executiva, Trump proibiu qualquer cidadão, instituição ou empresa esradunidense de adquirir títulos da dívida venezuelana ou ativos e propriedades pertencentes ao Executivo venezuelano nos Estados Unidos, incluindo os da empresa Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA).

As autoridades venezuelanas repudiaram tais medidas, ilegais e ilegítimas, destinadas a expandir o bloqueio econômico e financeiro contra o seu país, e que se destinam a quebrar o direito à autodeterminação de seu povo e ameaçar o modelo venezuelano de desenvolvimento socioeconômico.

2 - Tentativas de não reconhecer a vontade popular

Em um comunicado de imprensa divulgado na última segunda-feira (21), 14 governos latino-americanos, conhecidos como o Grupo Lima, declararam não reconhecer os resultados das eleições na Venezuela.

Entre os argumentos usados para sustentar essa postura agressiva está uma suposta abstenção dos eleitores venezuelanos às urnas. No entanto, os presidentes do Chile e da Colômbia, membros do bloco, foram eleitos com participação inferior à registrada por Nicolás Maduro e não sofreram nenhum tipo de denúncia por esse motivo.

Além disso, fazem parte do Grupo Lima, nações como o Brasil, onde um golpe de Estado parlamentar retirou do poder a presidenta Dilma Rousseff e mantém preso injustamente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato mais popular para as eleições presidenciais do gigante sul-americano. No Peru, seu presidente teve que renunciar por acusações de corrupção e, em Honduras, as eleições de 2017 foram marcadas por escândalos de fraude e corrupção.

3 - Agressões diplomáticas

Os governos de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia, membros do Grupo de Lima, concordaram em "diminuir" suas relações diplomáticas com a Venezuela, chamando para consultas os seus embaixadores em Caracas.

O grupo afirmou que apresentará também uma resolução no Período 48 de Sessões da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), sobre a situação na Venezuela.

4 - Ataques da OEA

Desde fevereiro passado, a OEA aprovou uma resolução que exigia que o governo venezuelano cancelasse as eleições presidenciais no país. Esta organização, que promove o ataque internacional para isolar os processos de mudança que começaram em toda a América Latina, cuja ponta de lança é precisamente a Venezuela, mantém uma campanha intervencionista contra aquela nação, enquanto fecha os olhos a várias situações escandalosas em outros países.

O secretário geral da OEA, Luis Almagro, ignorou o novo mandato presidencial do povo bolivariano e reiterou que a organização não reconhece Nicolás Maduro como o legítimo presidente da Venezuela. Além disso, assegurou que a OEA continuará "lutando pelo fim da ditadura" e clamou, novamente, por "um governo de transição".

5 - Ampliação do cerco econômico

Seguindo as diretrizes dos Estados Unidos, vários países latino-americanos também afirmaram que vão coordenar ações com organizações financeiras internacionais para "não conceder empréstimos ao governo da Venezuela", que enfrenta uma importante crise econômica.

Além disso, afirmaram que vão intensificar e ampliar a troca de informações financeiras, para aperfeiçoar as sanções contra a nação sul-americana, todas com o objetivo de fechar o cerco econômico em Caracas.

6 - Incentivo aos conflitos nas fronteiras

Como parte das consequências da guerra econômica e da crise que a Venezuela sofre, fortalecida pelo exterior, os fluxos migratórios desse país para os países vizinhos aumentaram.

Embora este seja um fenômeno comum na história da América Latina e, no passado, a própria Venezuela tenha recebido milhões de colombianos e outros imigrantes, há a tentativa de explorar o assunto, para justificar um conflito.

A Colômbia e o Brasil são duas pontas de lança no aumento da presença de tropas dos EUA, cujo governo já declarou que não descarta "a opção militar" no caso da Venezuela.

7 - União Europeia adere aos ataques

Ao contrário das tentativas de manter uma política externa independente dos Estados Unidos, a União Europeia aderiu aos ataques contra o governo venezuelano.

O bloco anunciou que está estudando a adoção de medidas após as alegadas irregularidades nas eleições na Venezuela.

Para a UE e a Espanha, em particular, as eleições da Venezuela apresentam "deficiências democráticas fundamentais" e "graves irregularidades", embora mais de 150 observadores internacionais tenham ressaltado a validade e a transparência dos resultados das urnas.

8 - Boicote da oposição

Antes de conhecer os resultados oficiais emitidos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o ex-candidato presidencial Henri Falcón já havia dito que não reconheceria o processo eleitoral.

Falcón, que obteve 1.820.552 votos, 21,01% dos votos válidos, retomou uma fórmula amplamente utilizada pela direita venezuelana, a de não aceitar a voz das urnas, quando não lhe é favorável.

Javier Bertucci, representante do partido Esperança para a Mudança, que obteve apenas 10,82% dos votos, também se uniu à campanha para ignorar o resultado das eleições, alegando ilusórias "violações da lei eleitoral da Venezuela", mas depois aceitou o resultado, ainda questionando o processo.

9 - O caminho da violência

Após ser ratificado como chefe de Estado, Maduro apelou ao diálogo e à reconciliação, propostas que foram imediatamente rejeitadas pela Mesa da Unidade Democrática (MUD) e outros atores da oposição.

A MUD, setor da oposição que não participou das eleições presidenciais na Venezuela, sacrificou há vários meses o seu próprio espaço político no país e aderiu a uma agenda de violência. Saiu às ruas para denunciar a suposta fraude eleitoral, muito antes de os resultados das eleições serem divulgados. Desta forma, descartou qualquer possibilidade de estar presente em uma mesa de conversações com o gabinete executivo do presidente Maduro.

Extremamente desacreditada e dividida, a MUD, que não tem uma agenda de governo, mas sim uma série de orientações ditadas desde o exterior, tenta agora fazer uma cena de deslegitimação de uma eleição que decidiu abandonar, devido à impossibilidade de enfrentar o Chavismo.

10 - Manipulação midiática

A mídia internacional escolheu fotos e manchetes para a cobertura da imprensa sobre as eleições na Venezuela, de modo a minimizar a participação e o apoio popular à Revolução Bolivariana.

Além disso, a maioria dos meios de comunicação no Ocidente ainda estão ecoando termos como "presos políticos", quando o governo tem dado provas incontáveis ​​de que os processados ​​pela justiça cometeram ações ilegais ou apelaram para a violência com um saldo de centenas de mortes.

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