Ditador sírio tem costas quentes

Rssia e China vetam resoluo da ONU que visava derrubar o regime de Bashar Al Assad depois de mais um massacre, que matou 260 pessoas em Homs

Ditador sírio tem costas quentes
Ditador sírio tem costas quentes (Foto: Sana/REUTERS)

Rússia e China vetaram hoje uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em apoio ao plano de paz da Liga Árabe, que pedia a renúncia do presidente sírio Bashar Assad em meio à escalada da violência na Síria. Os outros 13 membros do Conselho, incluindo os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França, votaram numa atípica sessão de fim de semana a favor da resolução que visa parar a onda de violência que assola a Síria.

O raro veto duplo foi emitido depois de dias de negociações para reverter a oposição russa ao rascunho de resolução. Diversos enviados europeus disseram antes da sessão que eles se sentiram compelidos a manter a votação apesar dos esforços russos de procurar um adiamento por causa do aumento no grau de violência da reação do governo de Assad ao movimento de oposição.

A urgência para a votação da resolução foi ainda maior depois de um ataque pelas forças militares da Síria contra manifestantes ontem. Ao menos 260 civis, entre eles mulheres e crianças, foram mortos na cidade síria de Homs em bombardeios aleatórios do exército, segundo informou um grupo de oposição local. De acordo com a ONU, mais de 5.400 pessoas já morreram nos últimos 11 meses durante a repressão do governo sírio aos manifestantes de oposição.

Reações

"É um dia triste para este Conselho, um dia triste para os sírios e um dia triste para todos os amigos da democracia", afirmou o embaixador francês Gerard Araud depois que a resolução foi vetada por russos e chineses.

A embaixadora dos Estados Unidos Susan Rice disse que seu país estava "enojado" pelo desfecho da votação. Já Araud, da França, disse que Rússia e China fizeram-se de "cúmplices da política de repressão levada a cabo pelo regime de Assad".

A Síria tem sido um aliado importante da Rússia desde os tempos da União Soviética e o governo de Moscou tem sido contra a qualquer pedido da ONU que poderia ser interpretado como uma defesa para intervenção militar ou mudança de regime. A Rússia e a China também usaram de seu poder de veto como membros permanentes do Conselho de Segurança em outubro passado para bloquear uma tentativa anterior dos países ocidentais de condenar a violência na Síria.

"Hoje o Conselho de Segurança fracassou em cumprir com sua responsabilidade", disse o embaixador alemão Peter Wittig. "O povo da Síria decepcionou-se novamente".

Mais cedo no sábado o ministro das Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov, disse durante uma conferência de segurança na Alemanha que o seu governo ainda vê dois problemas de "importância crucial" com o rascunho da resolução do Conselho de Segurança. Para ele, a resolução faz poucas demandas para grupos armados antigovernistas e também que a resolução poderia prejulgar o desfecho de uma diálogo nacional entre as forças políticas da Síria.

Estados Unidos

Antes da votação do Conselho de Segurança, o presidente americano Barack Obama fez um apelo ao Conselho para assumir uma posição contra o regime de Assad e apoiar a aprovação da resolução. "A comunidade internacional precisa trabalhar para proteger o povo sírio dessa brutalidade repulsiva", disse Obama por meio de um comunicado divulgado pela Casa Branca. No comunicado, Obama disse que Assad tinha demonstrado "desdém pela vida e dignidade humana" depois dos ataques de hoje na cidade de Homs.

A secretária de Estado americano, Hillary Clinton, encontrou-se hoje com o ministro russo Sergey Lavrov durante reuniões paralelas na conferência de segurança na Alemanha e que os dois mantiveram uma conversa "bastante enérgica", segundo uma fonte diplomática americana. As informações são da Associated Press.


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