Em clima de revolta, Venezuela mantém carnaval

Governo de Nicolás Maduro tem incentivados viagens às praias ou para as montanhas, no interior do país, e também reforçado que o carnaval é uma festa que deve ser celebrada "como tradição cultural no país"; presidente acusa oposição pela desordem no país: "Nem nas piores ditaduras que vivemos, nós deixamos de desfrutar o carnaval, o que vão querer fazer depois? Proibir a Semana Santa?"

Venezuelan President Nicolas Maduro attends a press conference at Miraflores Palace in Caracas February 21, 2014. Venezuela's jailed protest leader urged supporters on Friday to keep demonstrating peacefully against President Maduro despite violence that
Venezuelan President Nicolas Maduro attends a press conference at Miraflores Palace in Caracas February 21, 2014. Venezuela's jailed protest leader urged supporters on Friday to keep demonstrating peacefully against President Maduro despite violence that (Foto: Roberta Namour)
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Leandra Felipe - Correspondente da Agência Brasil/EBC
O carnaval se transformou em mais uma polêmica na Venezuela entre o governo e a oposição. A festa, tradicionalmente celebrada no país, não terá este ano o apoio de alguns governadores e prefeitos de oposição, que anunciaram que não pretendem promover programações carnavalescas em respeito à morte de pelo menos 15 pessoas que participavam dos protestos contra o governo.

O presidente Nicolás Maduro, no entanto, manteve a programação nacional de carnaval e decretou feriado hoje (27) e amanhã (28), prolongando os dias de descanso até a Quarta-Feira de Cinzas (5). O feriado homenageia os 25 anos da morte de pessoas que protestavam contra medidas neoliberais durante o governo de Carlos Andrés Pérez. Conhecido como Caracazo, o movimento deixou 300 mortes (de acordo com números oficiais), causadas pela polícia e o Exército venezuelanos na época.

Com o feriado decretado, os venezuelanos terão até quarta-feira (5) para descanso ou viagens. O governo de Nicolás Maduro tem incentivados viagens às praias ou para as montanhas, no interior do país, e também reforçado que o carnaval é uma festa que deve ser celebrada "como tradição cultural no país".

Nessa quarta-feira (26), ao receber camponeses e indígenas, o presidente Nicolás Maduro disse que a "palavra de ordem é lutar, dançar e vencer". Ele acusou a oposição de querer probir o carnaval. "Nem nas piores ditaduras que vivemos, nós deixamos de desfrutar o carnaval, o que vão querer fazer depois? Proibir a Semana Santa?", questionou em Miraflores, pouco antes de dar início à Conferência Nacional de Paz, que reuniu diversos setores da sociedade, como políticos, empresários e lideranças de movimentos da sociedade civil. A oposição, entretanto, não participou do encontro.

Com relação ao carnaval, algumas prefeituras como a de Chacao, no estado de Miranda, alegam que não programarão eventos carnavalescos em respeito ao luto das famílias que perderam parentes durante os protestos.

Além disso, o movimento estudantil e os opositores fazem o movimento contrário ao do governo e pedem que os manifestantes se mantenham nas cidades e em protesto. Nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook, manifestantes fazem convocações para que todos continuem protestando nas ruas do país e para que os venezuelanos não viajem para o carnaval.

Ontem, uma manifestação de mulheres opositoras pediu o fim da violência e homenageou os jovens mortos nos confrontos. Em entrevistas a agências de notícias internacionais e a jornais opositores locais, elas disseram que estavam protestando por justiça e disseram que não havia "clima para carnaval".

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