Em documento oficial, China refuta posições dos EUA na guerra comercial

O Ministério do Comércio da China divulgou nesta quinta-feira (13) um comunicado rechaçando as acusações dos Estados Unidos usadas como pretexto para desencadear a guerra comercial

Em documento oficial, China refuta posições dos EUA na guerra comercial
Em documento oficial, China refuta posições dos EUA na guerra comercial

247, com Diário do Povo - O documento contém afirmações contundentes e diz que os Estados Unidos fazem "difamações" ao acusar o país asiático de obter vantagens extras como resultado da prática comercial injusta. Segundo o comunicado do Ministério chinês do Comércio, trata-se de "uma distorção infundada de fatos".

Segundo o documento, com a finalidade de atender a sua necessidade política interna e conter a China, os Estados Unidos produziram todo um conjunto de afirmações que distorcem a verdade das relações econômicas e comerciais entre a China e os EUA.

"De fato, diz o documento, os problemas subjacentes na economia e sociedade americanas são causados puramente por razões domésticas e estruturais nos Estados Unidos. O sucesso da economia chinesa jamais foi fruto da prática do mercantilismo fora da China ou do êxito do chamado capitalismo do Estado. Ao invés disso, é o sucesso do compromisso com a reforma orientada ao mercado e a abertura contínua".

O Ministério do Comércio também refuta as afirmações sobre o desequilíbrio comercial China-EUA. "O lado dos Estados Unidos diz que tem déficit comercial massivo com a China, mas seu número é superestimado, e a principal razão para esse déficit não está no lado chinês. Ao contrário, ele existe porque a taxa de poupança nos Estados Unidos permanece baixa, o dólar dos Estados Unidos serve como a moeda de reserva internacional, e os dois países diferenciam-se em competitividade industrial e divisão do trabalho internacional. Além disso, os Estados Unidos, devido à sua mentalidade de Guerra Fria, impõem restrições sobre a exportação de produtos de alta tecnologia que têm vantagem comparativa".

Também é rechaçada pelos chineses a acusação de roubo de propriedade intelectual. O comunicado do Ministério do Comércio diz que o governo chinês já adotou um sistema jurídico completo para proteger os direitos de propriedade intelectual (DPI), permitiu ao sistema judicial desempenhar um papel dirigente na proteção dos DPI, e promoveu o estabelecimento de tribunais de DPI e tribunais de DPI dedicados. Em 2017, a China pagou US$ 28,6 bilhões em royalties de DPI, um aumento de 15 vezes ante 2001, quando o país juntou-se à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A chamada transferência de tecnologia forçada também mereceu a refutação pelo Ministério chinês do Comércio. "O governo chinês não fez este tipo de pedido para as empresas estrangeiras e a cooperação entre as companhias chinesas e estrangeiras em tecnologia e outros campos econômicos e comerciais é comportamento de contrato puramente com base no princípio voluntário. Ambos os lados recolheram enorme benefício da cooperação ao longo dos anos.

O documento defende a política "Made in China 2025" e outras políticas industriais. "Sob condições da economia de mercado, essas políticas implementadas pelo governo chinês são documentos orientadores, e são abertas a todas as companhias com capital estrangeiro. A ironia é que o país que fornece massivo subsídio comercial na agricultura e manufatura são os Estados Unidos".

O longo texto divulgado pelo Ministério do Comércio refuta também as acusações dos Estados Unidos de que a China teria negligenciado as discordâncias no comércio e não tomado medidas ativas. "Os Estados Unidos dizem que 'instaram pacientemente a China' (...) mas a verdade é que as divergências no comércio sempre têm sido um importante assunto para a China, que tem promovido a solução delas por diálogo e consultas com a máxima sinceridade e paciência, com a esperança de proteger a cooperação comercial e econômica China-EUA, atender às demandas crescentes por uma melhor vida do povo chinês, e promover o crescimento de qualidade da economia chinesa". Acrescenta a informação de que entre fevereiro e junho deste ano, a China tomou parte em quatro rodadas de conversações econômicas de alto nível com os Estados Unidos e anunciou a Declaração Conjunta China-EUA com importante consenso atingido sobre o fortalecimento da cooperação comercial e econômica e para evitar uma guerra comercial.

De acordo com a China, por razões de política interna os Estados Unidos "descumpriram sua palavra, abandonaram o consenso bilateral e insistiram em lançar uma guerra comercial com a China. A China fez de tudo para prevenir o agravamento das disputas comerciais. Os Estados Unidos são totalmente responsáveis pela atual situação".

O comunicado do Minstério do Comércio do país asiático defende sua posição no atual episódio das disputas tarifárias. Em 6 de julho os Estados Unidos impuseram tarifa de 25% sobre US$ 34 bilhões de exportações chinesas ao país norte-americano. Em 11 de julho, os Estados Unidos agravaram ainda mais a situação anunciando uma lista tarifária de produtos chineses no valor de US$ 200 bilhões. Estas tarifas expressam "unilateralismo, protecionismo e intimidação comercial, uma violação clara do princípio básico da OMC de tratamento de nação mais favorecida, assim como ao espírito e princípios básicos do direito internacional".

Neste quadro, a China considera que foi forçada a tomar contramedidas, que estas foram uma escolha inevitável para defender os interesses nacionais e mundiais, ato que é "perfeitamente justo, razoável e legítimo".

"Ao enfrentar ameaças repetidas de uma guerra comercial pelos Estados Unidos, diz o documento, o governo chinês declarou repetidamente sua posição de princípio, de 'não querer, mas não ter medo de uma guerra comercial e ter que travar uma quando for necessário'. O lado chinês insistiu em não disparar o primeiro tiro e foi forçado a tomar contramedidas recíprocas depois que os Estados Unidos iniciaram a guerra comercial. A China fez isto para defender sua dignidade nacional e os interesses da população, defender os princípios de livre comércio e o sistema de comércio multilateral, e defender os interesses comuns dos países no mundo".

O texto afirma ainda que os Estados Unidos não estão lançando uma guerra comercial somente conra a China, mas contra todo o mundo, colocando a economia mundial em perigo.

"Quando os Estados Unidos saem propositadamente de grupos com base em seus interesses sob o pretexto de "América Primeiro", se tornam um inimigo de todos" (...) "Tais práticas dos Estados Unidos arrastarão a economia mundial para a 'armadilha da Guerra Fria', 'armadilha da recessão', 'armadilha anti-contrato' e 'armadilha da incerteza', piorarão seriamente o ambiente econômico e comercial mundial, destruirão a cadeia industrial e a cadeia de valor mundiais, dificultarão a recuperação da economia mundial, causarão flutuações do mercado mundial e machucarão os interesses de numerosas multinacionais e clientes no geral no mundo".

Finalmente, a China se compromete a "continuar a impulsionar firmemente a reforma e a abertura segundo os planos e ritmos estabelecidos e trabalhará com o resto do mundo para defender firmemente o livre comércio e o sistema de comércio multilateral".

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