Especialista da ONU alerta que 'o pior está por vir' e que mais 176 milhões de pessoas podem cair na pobreza

Um relator da Organização das Nações Unidas (ONU), Olivier De Schutter, disse que mais de 1.400 medidas de proteção social adotadas por diferentes governos foram amplamente insuficientes e 176 milhões de pessoas devem se somar à população pobre mundial

Pessoas fazem fila para obter ajuda de alimentação
Pessoas fazem fila para obter ajuda de alimentação (Foto: Reuters)
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247 - "O pior ainda está por vir"e mais 176 milhões de pessoas podem cair na pobreza após a pandemia, alerta um especialista da ONU.

A recessão econômica causada pela pandemia do coronavírus não tem precedentes em tempos de paz desde a Grande Depressão, uma grande crise financeira global que ocorreu durante os anos 1930, disse Olivier De Schutter, relator especial das Nações Unidas, em um relatório divulgado na sexta-feira (11) sobre pobreza extrema e direitos humanos.

O especialista alertou os líderes mundiais de que "as piores consequências da crise sobre a pobreza ainda estão por vir", informa a RT.

De Schutter enfatizou que mais 176 milhões de pessoas podem cair na pobreza, se uma linha de pobreza de US $ 3,20 por dia for usada. Isso significa um crescimento de 2,3 pontos percentuais na taxa de pobreza em comparação a um cenário sem a pandemia.

O presidente do Banco Mundial já tinha alertado anteriormente que cerca de 100 milhões de pessoas cairiam em extrema pobreza devido à pandemia.

De acordo com seu relatório agora apresentado, mais de 1.400 medidas de proteção social, adotadas desde o início do surto por diferentes governos, são em grande parte insuficientes. “As redes de segurança social implementadas estão cheias de buracos”, disse o especialista, acrescentando que estas medidas, em geral, são de “curto prazo”, enquanto “o seu financiamento é insuficiente”.

Além disso, declarou que muitas pessoas "mais pobres", que "estão em condições de trabalho precárias ou sem residência permanente", estão excluídas dos programas de proteção social. “Muitos programas também exigem que as inscrições sejam concluídas online, o que de fato exclui grandes grupos da população sem acesso à Internet ou com poucas habilidades digitais”, acrescentou.

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