Especialistas comentam o que está por trás da divergência entre Bolsonaro e Macron

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, disse durante a campanha que pretendia retirar o país do Acordo de Paris, documento que rege medidas de redução de emissão dióxido de carbono a partir de 2020. Na semana passada, o futuro presidente também anunciou que o Brasil não irá sediar a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25)

Especialistas comentam o que está por trás da divergência entre Bolsonaro e Macron
Especialistas comentam o que está por trás da divergência entre Bolsonaro e Macron

247, com Sputnik -O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, disse durante a campanha que pretendia retirar o país do Acordo de Paris, documento que rege medidas de redução de emissão dióxido de carbono a partir de 2020. Na semana passada, o futuro presidente também anunciou que o Brasil não irá sediar a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25)

Em uma resposta dura, o presidente francês Emmanuel Macron deu um ultimato e disse que a possibilidade de seu governo apoiar o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul depende da posição de Bolsonaro sobre o Acordo de Paris sbre o clima.

Na última sexta-feira, Bolsonaro deu a tréplica e disse que não pretende assumir compromissos ambientais que impactem o agronegócio brasileiro. No Twitter, o presidente eleito já tinha postado uma mensagem afirmando que "está fora de cogitação" o país se sujeitar automaticamente a interesses de outras nações.

A Sputnik Brasil conversou com dois especialistas para tentar entender quais são os impactos de uma desavença entre Brasil e França.

Paulo Velasco, cientista político e professor da Uerj, disse que as declarações revelam que Bolsonaro está muito mais próximo de Trump, que anunciou a retirada dos EUA do Acordo de Paris, do que da União Europeia.

"Acho que temos como grande variável a postura do presidente eleito muito resistente ao multilateralismo emulando inclusive, dessa forma, posições já assumidas pelo presidente norte-americano Donald Trump e em um contexto em que já se sinaliza para uma grande aproximação e convergência com os Estados Unidos", comentou.

Velasco argumenta que Bolsonaro nomeou pessoas que negam a existência do aquecimento global, o que demonstra que o próximo governo não está interessado em manter a posição do Brasil em relação as questões ambientais.

Já Hélio Sirimarco, ligado ao agronegócio e vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, disse que os produtores respeitam a legislação ambiental.

Os números mostram que o Brasil é um dos países que mais preservam áreas no mundo. Então é muito cômodo esse discurso de que temos um problema de desmatamento e que o setor agrícola não preserva as áreas. As pessoas parecem que ignoram como funcionam as coisas", disse.

Segundo Sirimarco, os responsáveis pelo desmatamento no Brasil não são os produtores rurais.

"O desmatamento não é praticado pelos produtores agrícolas, pelos agropecuários, o desmatamento é praticado por bandidos. A futura ministra da agricultura deu entrevista na semana passada, ressaltando esse aspecto de que são os exploradores de madeira, exploradores de minérios que fazem isso de forma ilegal", completou.

A União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — a Venezuela está temporariamente suspensa) negociam o acordo, há quase 20 anos, com base em três pilares: diálogo político, cooperação e o livre-comércio.

Bolsonaro disse que foi aconselhado pelo futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a ter cautela nas negociações.

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