Estudo aponta que homossexuais morrem de Aids na África por causa de leis homofóbicas

“Descobrimos que países que tinham leis anti-LGBT mais repressivas ou penas mais severas para relações entre pessoas do mesmo sexo tinham níveis mais baixos de testes para HIV", disse Kate Mitchell, uma das pesquisadoras do Imperial College de Londres que participou do estudo.

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Reuters - Milhares de homens homossexuais na África provavelmente estão morrendo de doenças relacionadas ao HIV todos os anos devido a leis homofóbicas que abafam suas chances de serem testados e tratados, disseram pesquisadores de um estudo publicado nesta segunda-feira na revista The Lancet HIV.

Um estudo dos dados de 45.000 homossexuais em 28 países africanos, incluindo Quênia, Malawi e Nigéria, mostrou que apenas um em cada quatro com HIV estava tomando medicação.

Metade fez teste de HIV/Aids nos últimos 12 meses, e os pesquisadores disseram que as baixas taxas se devem a leis anti-LGBT+ em muitos países africanos que promoveram estigma e discriminação e negligenciaram programas de HIV/Aids direcionados a homens gays.

“Descobrimos que países que tinham leis anti-LGBT mais repressivas ou penas mais severas para relações entre pessoas do mesmo sexo tinham níveis mais baixos de testes para HIV", disse Kate Mitchell, uma das pesquisadoras do Imperial College de Londres que participou do estudo.

"Alguns estudos sugeriram que isso se devia ao estigma. Mais pesquisas são necessárias para verificar se, caso essas leis sejam revogadas, mais homens gays serão testados e tratados."

Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 470.000 pessoas com HIV na África ainda morrem todos os anos porque não podem ou não conseguem testes e acesso ao tratamento, representando mais de 60% de todas as mortes relacionadas ao HIV no mundo.

Embora não haja dados oficiais sobre o número de mortes de homens que fazem sexo com homens, Mitchell disse que seria justo estimar que milhares de homossexuais que desconheciam ou não podiam obter medicação morrem todos os anos.

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