EUA vêem indícios de armas químicas na Síria

Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, afirmou que o governo de seu país tem evidências sobre o uso da substância sarin na guerra civil síria; Casa Branca ainda não confirma entrada mais direta do país no conflito

EUA vêem indícios de armas químicas na Síria
EUA vêem indícios de armas químicas na Síria (Foto: Narciso Contreras)

Opera Mundi - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, afirmou nesta quinta-feira (25/04) que o governo de seu país tem evidências sobre o uso, ainda que em pequena escala, de armas químicas, mais especificamente a substância sarin, na guerra civil síria.

Hagel, no entanto, foi cauteloso ao dizer que ainda precisa comprovar se as suspeitas levantadas por seus órgãos de Inteligência são fatos. “O que nós estamos informando é apenas o que nossa rede de inteligência disse saber. Volto a dizer, eles ainda estão pesquisando e procurando saber o que aconteceu, quem foi responsável e outras especificidades que precisaremos saber”, explicou em coletiva de imprensa em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Quando perguntado se esse novo elemento significaria que o conflito “ultrapassou a linha vermelha” estabelecida pelo presidente Barack Obama, que implicaria em um envolvimento mais direto dos Estados Unidos, Hagel afirmou que “ainda é cedo para responder”.

Em uma mensagem enviada aos congressistas antes da coletiva de Hagel, a Casa Branca afirmou que análises de inteligência concluíram “com variados graus de confiança que o regime sírio utilizou armas químicas em pequena escala, especificamente o agente químico sarin”. No entanto, não pode precisar a autoria exata dos ataques nem o grau de envolvimento do presidente sírio, Bashar Al Assad. No entanto, afirma que “acreditamos que todo ataque de armas químicas na Síria tenham certamente sido originados do regime Assad”.

A Casa Branca também pediu à ONU (Organização das Nações Unidas) que organize uma investigação a partir dessas suspeitas. "A Síria tem o potencial de matar dezenas de milhares de pessoas com suas armas químicas. O mundo deve se unir para prevenir que isso ocorra através de uma ação unida que resulte em contenção significativa na estocagem desses dispositivos pelo regime sírio”.

O senador republicano John McCain pediu urgência para que o governo dos EUA estabeleça uma zona de segurança para os rebeldes sírios. “Tudo o que os não-intervencionistas disseram que ocorreria se nós interviéssemos já aconteceu (..) Os jihadistas estão em ascendência, armas químicas estão sendo usadas o massacre continua”, afirmou. Ele lembrou que

Obama disse que, caso Al Assad usasse armas químicas, haveria uma “mudança de jogo”. “Acho que está bem óbvio que essa linha vermelha foi cruzada”, afirmou, “e isso não deveria nos surpreender. Esse cara (Al Assad) fará tudo para se manter no poder”.

Evidências

Nesta quarta-feira (24), o líder do Exército Livre Sírio, Salim Idriss, afirmou em entrevista à CNN que o governo Assad utilizou armas químicas em diversas ocasiões, incluindo cidades grandes como Homs, Otaiba (próxima à capital Damasco) e Aleppo, a mais populosa do país.

Ele afirma ter essa informação baseado em exames e amostras de sangue tiradas por médicos, além de amostras de solo. “Essas amostras foram testadas, está claro que eles estão usando armas químicas”, afirmou.

O governo sírio, por sua vez, nega qualquer uso de armas químicas contra sua própria população e afirma que os ataques são provenientes da oposição.
O discurso de Hagel ocorre dias depois da inteligência israelense anunciar que o governo de Damasco tem usado “armas químicas proibidas pelos tratados internacionais contra sua própria população”.

Também nesta quinta, o governo britânico repetiu o discurso norte-americano, afirmando ter “limitadas mas persuasivas evidências” dessas suspeitas, e instou Assad a conceder acesso ilimitado a investigadores internacionais. “Isso é extremamente preocupante. O uso de armas químicas é um crime de guerra”, afirmou um porta-voz do Departamento de Relações Exteriores em um comunicado à imprensa.

Tóxico

O sarin (C4H10FO2P) é um composto químico extremamente tóxico e inodoro, podendo causar convulsões, paralisia e insuficiência respiratória. É uma das substâncias que agem com mais rapidez no sistema nervoso, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Pode evaporar rapidamente do estado líquido para o vapor e se dispersar no ar e na água, podendo causar contaminação. Foi classificado como arma de destruição em massa pela resolução 687 das Nações Unidas.

Em 1995, um ataque terrorista de gás sarin no metrô de Tóquio matou doze pessoas e infectou cerca de 6 mil pessoas, 50 delas com gravidade. O ato foi realizado por membros da seita religiosa Aum Shinrikyo (ou “Ensinamento da Verdade Suprema, em português”).

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