Ex-chanceler assume constituinte venezuelana

Delcy Rodríguez ocupa postos no governo da Venezuela desde a administração de Hugo Chávez e, até o começo deste ano, comandava a política externa do país; saiba quem ela é em perfil publicado pelo Opera Mundi

Chanceler venezuelana Delcy Rodríguez
Chanceler venezuelana Delcy Rodríguez (Foto: Leonardo Attuch)
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Do Opera Mundi

A ex-chanceler Delcy Rodríguez será a presidente da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), instalada nesta sexta-feira (04/08) na Venezuela. A proposta foi feita pelo dirigente chavista Diosdado Cabello e aceita pelos 538 representantes eleitos.

A primeira vice-presidência da ANC será assumida pelo ex-vice-presidente Aristóbulo Istúriz, e, a segunda, pelo ex-procurador Isaías Rodríguez.

"Não achem que vamos esperar semanas, meses, anos... não. A partir de amanhã [sábado] começamos a agir nesta Assembleia Nacional Constituinte (...) e os que fazem guerra psicológica contra o povo responderão à Justiça", disse Delcy, durante a posse.

"Viemos aqui não para destruir a nossa Constituição. Viemos apartar do caminho todos os obstáculos, todas as arbitrariedades ditatoriais que nos impediram de exercer a validade material da nossa Constituição", destacou.

Delcy afirmou que a Constituinte conseguiu “romper a fase mais obscura da ditadura”, e disse que “a mensagem de exclusão é da direita apátrida”. "Na Venezuela não há fome, na Venezuela há vontade (...) aqui não há crise humanitária, aqui há amor".

Quem é Delcy

Delcy Rodríguez é filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador do partido marxista Liga Socialista, e irmã do ex-vice-presidente venezuelano e atual prefeito de Libertador (região de Caracas) Jorge Rodríguez. A presidente da ANC se formou advogada na Venezuela, estudou direito social em na França e fez mestrado em política social em Londres.

Ela ocupa postos no governo da Venezuela desde a administração de Hugo Chávez (1999-2013), quando foi titular do Ministério do Despacho da Presidência e Seguimento da Gestão de Governo, algo semelhante à Secretaria-Geral da Presidência no Brasil.

Agência Efe
dríguez foi escolhida como presidente da Assembleia Constituinte

No governo Maduro, Delcy começou como Ministra da Comunicação e Informação – cargo que ocupou por pouco mais de um ano. Em dezembro de 2014, foi nomeada Ministra das Relações Exteriores da Venezuela, se tornando a primeira mulher chanceler do país.

Como ministra das Relações Exteriores, Delcy enfrentou diversos ataques contra a Venezuela em vários órgãos multilaterais. Em 2015, em uma cúpula do Mercosul, no Paraguai, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, utilizou seu discurso para pedir que o governo venezuelano libertasse o que ele classificou como “presos políticos” no país.

Logo após a exposição de Macri, a chanceler venezuelana o lembrou de que ela estava ali representando Maduro e que as palavras do mandatário constituem ingerência nos assuntos da Venezuela. Com fotografias dos protestos violentos realizados em 2014 e que provocaram a morte de 43 pessoas, entre civis e policiais, Rodríguez esclareceu que os políticos que estão detidos têm vinculações com esses atos. “O senhor está defendendo esta pessoa. Está defendendo este tipo de manifestação, esta violência política”, disse.

OEA

Na OEA, em meio às tentativas do secretário-geral da instituição, Luis Almagro, de aprovar sanções contra a Venezuela, Delcy articulou para que o grupo respeitasse as questões internas do país. Em março deste ano, a então chanceler denunciou as graves ações intervencionistas" de Almagro, e de "uma facção minoritária de países da região" contra o governo venezuelano.

"Não me equivoco quando afirmo que o senhor Almagro é um mentiroso, desonesto, malfeitor e mercenário" que "dedicou sua gestão a agredir obsessivamente a Venezuela e seu povo", disse Rodríguez, ao lado do secretário-geral, durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA. "Anunciamos que se persistirem estas agressões e perseguições contra a Venezuela tomaremos severas e definitivas ações", acrescentou.

Em junho, ela deixou o cargo para se candidatar à Assembleia Constituinte, órgão que passou a presidir.

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