Ex-imigrantes querem renunciar à nacionalidade espanhola

Com a crise, eles querem voltar à condição original para poder ter acesso a programas que incentivam o retorno aos seus países de origem

Ex-imigrantes querem renunciar à nacionalidade espanhola
Ex-imigrantes querem renunciar à nacionalidade espanhola (Foto: GUSTAU NACARINO/Reuters)
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Opera Mundi - A crise econômica que atinge a Espanha está transformando o país, tradicionalmente um pólo de destino de imigrantes, em emissor de mão-de-obra. Um recente documento do INE (Instituto Nacional de Estatística) mostra que um número crescente de residentes espanhóis está tentando a sorte no exterior. Segundo o site espanhol Público, esse fenômeno também atinge imigrantes instalados há anos no país.

ONGs locais dizem que há um número crescente de imigrantes que renunciam à nacionalidade espanhola para poderem aderir a programas governamentais que incentivam o retorno. Como perderam a nacionalidade original, eles não podem mais ser incluídos nesses programas, válidos somente para estrangeiros. O fenômeno é muito comum entre latino-americanos.

"É comum entre muitos equatorianos ou colombianos que conseguiram a nacionalidade espanhola querer regressar [aos seus países de origem] e não conseguirem ser incluídos no programa porque viraram espanhóis de fato. Alguns deles chegam a procurar associações de auxílio aos imigrantes ou registros civis para perguntar como poderiam deixar de ser espanhóis", diz Carlos Arce, professor de Direito Público e Econômico da Universidade de Córdoba. Ele coordena a área de imigração da Associação Pró-direitos humanos da Comunidade Autônoma de Andaluzia, no sul do país.

Segundo José Chamizo, promotor público de Andaluzia, já existem casos em que pedreiros andaluzes encontram empregos ilegais em obras no norte do Marrocos, região que começa a passar por uma bolha imobiliária.

Inverso

No entanto, há localidades na Espanha em que essa tendência parece se inverter. Como na cidade andaluz de Algeciras, ao lado de Gibraltar e próxima ao continente africano. Nos últimos anos, muitos marroquinos em situação legal que antes residiam espalhados por diferentes países da União Europeia e em outras regiões da Espanha agora preferem se concentrar próximos ao seu país de origem, onde seus familiares vivem do outro lado do estreito.

"Eles chegaram aqui em busca de trabalho com nacionalidades de diferentes países comunitários. Pagam suas contas e constantemente viajam para visitar suas famílias no Marrocos. São pessoas, em geral, com uma vasta experiência migratória", diz Encarnación Marquez, porta-voz da ONG Algeciras Acolhe.

Há casos em que, segundo Marquez, alguns imigrantes que foram à Espanha e tinham o costume de enviar dinheiro a seus familiares através de seu trabalho passaram a receber dinheiro de seus países de origem. "Muitas vezes, pessoas que querem ir embora simplesmente não têm mais dinheiro para isso", completa.

Para piorar, a crise também já atingiu as associações de defesa dos imigrantes. Uma das mais antigas, a Atime (Associação de Trabalhadores Imigrantes Marroquinos na Espanha) foi obrigada a fechar suas portas, já que os governos regionais interromperam seu financiamento.

Segundo as estimativas do INE, a Espanha recebeu no primeiro semestre de 2012 um total de 178.021 pessoas. No entanto, 269.515 ex-residentes, entre espanhóis e estrangeiros, decidiram abandonar o país no mesmo período. E as remessas de dinheiro que os imigrantes enviaram a seus países de origem caíram 14% no primeiro trimestre do ano (1,548 bilhão de euros frente aos 1,851 bilhão remetidos um ano antes).

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