Ex-premiê francês: Europa deve se afastar dos EUA para mediar crise na Venezuela

O ex-primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, declarou esta semana que a Europa deveria deixar de apoiar a estratégia dos Estados Unidos na crise venezuelana; para o ex-chefe de governo, que ficou conhecido por sua oposição ferrenha à intervenção militar ocidental no Iraque em 2003, os europeus deveriam se unir com países como o México para encontrar uma solução pacífica na Venezuela que, segundo ele, está "num beco sem saída"

Ex-premiê francês: Europa deve se afastar dos EUA para mediar crise na Venezuela
Ex-premiê francês: Europa deve se afastar dos EUA para mediar crise na Venezuela (Foto: Reuters Benoît Tessier)

RFI - O ex-primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, declarou esta semana que a Europa deveria deixar de apoiar a estratégia dos Estados Unidos na crise venezuelana. Para o ex-chefe de governo, que ficou conhecido por sua oposição ferrenha à intervenção militar ocidental no Iraque em 2003, os europeus deveriam se unir com países como o México para encontrar uma solução pacífica na Venezuela que, segundo ele, está "num beco sem saída".

Durante uma entrevista à rádio France Inter, Villepin foi questionado sobre a crise na Venezuela. O país latino-americano foi comparado à Argélia, ex-colônia francesa, que também é um grande produtor de petróleo, e que vive manifestações populares inéditas contra o governo. "Há uma profunda diferença, pois a Venezuela hoje é um assunto ao mesmo tempo nacional, regional e mundial", disse o ex-premiê.

O ex-ministro lembrou que os venezuelanos estão "no cruzamento de dois mundos". "De um lado as democracias ocidentais e liberais, que estão em grande dificuldade e, do outro, um mundo autoritário, que ganha cada vez mais importância e influência no mundo emergente". A Venezuela tem a vantagem de ser um grande produtor de petróleo, mas também arrasta uma dívida de € 60 bilhões com a China e € 20 bilhões com a Rússia, o que deixa o país em uma situação vulnerável, analisa o francês.

Villepin diz compreender as razões que levaram o governo francês, assim como outros cerca de 50 países, a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino autoproclamado da Venezuela. No entanto, o ex-premiê estima que "a Europa e a França devem ser responsáveis por uma mediação. Devemos evitar a lógica de confrontação, como vimos na fronteira da Venezuela com a Colômbia", disse, em alusão à violência registrada nos últimos dias em Cúcuta.

Alergia à interferência americana

Villepin ficou mundialmente conhecido em 2003, quando era ministro das Relações Exteriores da França. Na época, ele chamou a atenção ao proferir um discurso durante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, quando a intervenção militar ocidental no Iraque estava sendo debatida pelos líderes mundiais. O francês se opôs à postura dos Estados Unidos, que queriam atacar os iraquianos, e chegou a ser aplaudido no final de sua fala, algo raro no ambiente protocolar da ONU.

No caso venezuelano, ele também se opõe claramente à qualquer atuação bélica. "Uma intervenção militar seria catastrófica. Um grande erro. Eu vivi na Venezuela e conheço a imensa alergia que os venezuelanos têm a qualquer interferência americana. É o país na América Latina mais marcado por esse aspecto", analisa Villepin. "Ao invés de se associar ao Grupo de Lima e aos Estados Unidos, nós deveríamos apoiar o Grupo de Montevidéu. Nós temos a chance de ter o México, que pode servir de mediador", aponta o ex-premiê. "A França pode contribuir. Mas não seguindo os norte-americanos, e sim exercendo sua capacidade de mediação e uma posição de equilíbrio", conclui Villepin.

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