Florestan Fernandes Jr: “cai um muro, ergue-se outro”

Na mesma semana em que se comemora os 27 anos da queda do muro de Berlim, os Estados Unidos elegeram o republicano Donald Trump à presidência do país, que teve como uma de suas promessas de campanha construir um muro com mais de 3 mil quilômetros para separar os EUA do México, visando barrar a entrada de imigrantes ilegais; "Mas entre o discurso radical de campanha e a realidade existe um fosso enorme", avalia o jornalista Florestan Fernandes Jr; "Mas quem sabe essa não seja a janela que se abre para os latino-americanos começarem um novo sonho em seus próprios países. Agora, gostem ou não, o futuro é aqui nestas outras Américas, Central e do Sul"

Republican presidential nominee Donald Trump speaks at a Bollywood-themed charity concert put on by the Republican Hindu Coalition in Edison, New Jersey, U.S. October 15, 2016. REUTERS/Jonathan Ernst/File Photo
Republican presidential nominee Donald Trump speaks at a Bollywood-themed charity concert put on by the Republican Hindu Coalition in Edison, New Jersey, U.S. October 15, 2016. REUTERS/Jonathan Ernst/File Photo (Foto: Paulo Emílio)

247 - O jornalista Florestan Fernandes Júnior relembra que nesta semana se comemora os 27 anos da queda do muro de Berlim, que por mais de duas décadas simbolizou a guerra fria e dividiu a capitakll da Alemanha entre oriental e ocidental. Na mesma semana, porém, os Estados Unidos elegeram o republicano Donald Trump à presidência do país, que teve como uma de suas promessas de campanha construir um muro com mais de 3 mil quilômetros para separar os EUA do México, visando barrar a entrada de imigrantes ilegais.

"Mas entre o discurso radical de campanha e a realidade existe um fosso enorme. Uma distância que, se não for respeitada, colocará o mundo de volta ao seu pior passado. Um confronto não ideológico, como foi o da extinta União Soviética contra os Estados Unidos, mas da perseguição das minorias como fez Hitler com os judeus na Alemanha nazista. É bom lembrar que Trump também defendeu a proibição da entrada de muçulmanos no país, a vigilância das mesquitas pelo serviço de inteligência e o uso da tortura em suspeitos de terrorismo para arrancar confissões de supostos atentados", destaca o jornalista em um artigo publicado no jornal El país. .

Florestan questiona até onde Trump poderá chegar "nessa guerra interna contra os imigrantes? Até que ponto, por exemplo, ele irá avançar na radicalização contra a colônia latina que hoje representa mais de 55 milhões de pessoas? Convenhamos: não seria prudente para um governo em início de mandato e cercado de desconfiança internacional enfiar a mão nessa cumbuca".

"Não acredito que Trump irá cumprir a promessa bizarra da construção física de um muro. Mas acho bem plausível que ele, com suas políticas públicas, amplie ainda mais o muro invisível de preconceitos e de exclusão contra os latinos na sociedade norte-americana", avalia.
"Mas quem sabe essa não seja a janela que se abre para os latino-americanos começarem um novo sonho em seus próprios países. Agora, gostem ou não, o futuro é aqui nestas outras Américas, Central e do Sul", finaliza.

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