Golpe de Estado na Bolívia é semelhante ao ocorrido no Chile em 1973, diz analista

"Temos que recuperar a memória histórica e pensar em 1973, no golpe de Estado no Chile que agora está sendo desafiado pela mobilização popular", diz Julio Gambia, presidente da Sociedade Latino-Americana de Economia e Pensamento Crítico (SEPLA)

(Foto: Reuters/Carlos Garcia Rawlins)
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Sputnik - Julio Gambina alerta que a vida de Evo Morales "corre perigo" e que por trás de sua renúncia forçada está a "mão" dos EUA.

A renúncia forçada do presidente da Bolívia, Evo Morales, é comparável a um golpe de Estado ocorrido há menos de meio século em outro país da região, afirma Julio Gambia, presidente da Sociedade Latino-Americana de Economia e Pensamento Crítico (SEPLA).

"Temos que recuperar a memória histórica e pensar em 1973, no golpe de Estado no Chile que agora está sendo desafiado pela mobilização popular", destacou Gambina em entrevista ao canal RT.

O analista se refere às décadas que o povo chileno sofreu com as medidas do ditador Augusto Pinochet, estipuladas na Carta Magna do Chile e que hoje são combatidas pelo povo mediante protestos massivos por todo o país.

Neste domingo (9), Evo Morales anunciou a renúncia do seu posto na presidência da Bolívia. A renúncia ocorre após auditoria da OEA solicitando a celebração de novas eleições no país vizinho, que vive momentos de forte polarização política diante de massivos protestos em La Paz nas últimas semanas.

Diversos líderes latino-americanos manifestaram solidariedade pelo ex-mandatário, como o presidente mexicano López Obrador, oferecendo-o asilo política em sua embaixada no país.

'Enorme revanchismo'

Gambia indica que é neste marco que se deve analisar o porquê de "tanta raiva" contra o governo da Bolívia."O povo chileno se mobilizou contra a constituição de Pinochet por 30 anos e a hegemonia neoliberal está sendo questionada", acentua o especialista.

O presidente da SEPLA reitera que na Bolívia se desencadeou um "enorme revanchismo", que nas ruas se nota o "medo", mas destaca que, ante o assédio dessa hegemonia contra ele, Evo "faz bem ao reivindicar seu caráter de indígena".

"Ele está identificando claramente que é a intolerância do regime do lucro [o capitalismo] que não permite a continuidade do processo constitucional na Bolívia" diz Gambina a respeito das explicações de Morales sobre sua renúncia.

A 'mão' dos EUA

O presidente da SEPLA considera que qualquer governo da região, seja qual for a sua orientação, deveria condenar o golpe de Estado na Bolívia, que passou das ameaças a uma "violência inusitada" contra a propriedade e a integridade física das autoridades.

A vida de Evo Morales "corre perigo", observa Gambina, comentando denúncias de que foram oferecidos até 50 mil dólares aos guardas de Evo Morales para entregarem o ex-mandatário aos opositores.

"Por trás disto – não tenho dúvidas – está a mão dos EUA", destacou o analista, precisando que a intervenção deste país tem a ver com "o financiamento de uma ação para promover esse golpe de Estado".

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