Governo golpista do Brasil ataca mais um, a Nicarágua

Depois de investir seu escasso capital diplomático contra a Venezuela, o governo golpista de Michel Temer, responsável pela bancarrota econômica, o caos social e as violações à democracia no Brasil, volta agora suas baterias contra o governo da Nicarágua, acusando-o de antidemocrático

Nicaragua's President Daniel Ortega addresses the audience in Managua October 6, 2011. REUTERS/Jorge Cabrera (NICARAGUA - Tags: POLITICS)
Nicaragua's President Daniel Ortega addresses the audience in Managua October 6, 2011. REUTERS/Jorge Cabrera (NICARAGUA - Tags: POLITICS) (Foto: Reinaldo)

247, por José Reinaldo Carvalho - Em nota, o Ministério das Relações Exteriores revela preocupação com os problemas que afetam o Diálogo de Paz entre o governo do presidente Daniel Ortega e a oposição. "A suspensão dessas negociações constitui motivo de preocupação, e o governo brasileiro insta todos os atores envolvidos a retomarem, no marco do respeito às liberdades civis, o entendimento necessário a restabelecer, de modo construtivo, um mecanismo de solução negociada e pacífica."

O documento prossegue: "O governo brasileiro acompanha, com atenção, os desdobramentos da situação na Nicarágua e lamenta a perda de vidas humanas nos enfrentamentos entre manifestantes e as forças policiais".

Os acordos são negociados por iniciativa do governo nicaraguense e conta desde o início como concurso da Conferência Episcopal da Nicarágua. "O governo brasileiro reconhece a importância dos esforços de mediação e bons ofícios exercidos pela Conferência Episcopal da Nicarágua, que permitiram a instalação do diálogo nacional entre o governo nicaraguense e setores da sociedade civil."

A nota do Itamaraty é mais uma bola fora de uma chancelaria que se amesquinha cada vez mais no triste ofício de se imiscuir nos assuntos internos de outros Estados nacionais, violando o sagrado princípio do respeito à autodeterminação.

O documento envergonha todos aqueles que dignificaram a casa de Rio Branco e os patriotas que sempre viram a instituição como uma das melhores expressões da organização do Estado nacional brasileiro. O Itamaraty sob gestão golpista ignora os esforços do governo do presidente Daniel Ortega de empreender e levar adiante o diálogo. Os bons ofícios da Conferência Episcopal foram requeridos e facilitados pelo governo nicaraguense.

Contudo, a violência e as ações visando a derrocar o governo legítimo do presidente Daniel Ortega persistem, simultaneamente com as protelações no Diálogo de Paz e os condicionamentos de última hora nas negociações por parte da oposição. Torna-se cada vez mais evidente que está em curso a aplicação de um plano golpista contra o governo sandinista.

O fato é que a Conferência Episcopal - e isto a nota do Itamaraty ignora - está condicionando a sua permanência no Diálogo de Paz à presença do secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luís Almagro. A exigência foi feita depois da interrupção das conversações e da apresentação pela oposição de uma agenda de quase 40 pontos que exige, entre numerosas demandas, a antecipação das eleições presidenciais, a não reeleição e uma reforma constitucional.

A ingerência nos assuntos internos da Nicarágua repete as ações intervencionistas que os golpistas brasileiros perpetraram contra a Venezuela. A ignorância quanto ao Diálogo de Paz nicaraguense é a mesma exibida relativamente ao país bolivariano. No último sábado (26), em artigo na Folha de S.Paulo, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, ignora que a convocação da Assembleia Nacional Constituinte foi feita sob o signo do diálogo e que no comício da vitória, depois de ser reeleito no último dia 20 de maio, o presidente venezuelano Nicolás Maduro lançou a proposta de promover a reconciliação nacional.

Além de violar o princípio da não ingerência, tão caro nas tradições da diplomacia brasileira, o governo brasileiro revela indizível hipocrisia. Imerso em profunda crise, empenhado na criminalização de movimentos sociais, impondo-se ao país por meio de decretos de intervenção federal e de "garantia da lei e da ordem", o governo golpista está cada vez mais distante dos princípios fundamentais da democracia e não tem estatura moral para dar lições a ninguém.

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